O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 09/06/2021
A tecnologia sempre acompanhou -ou refletiu- a evolução da humanidade. Desde a invenção da roda, as inovações tecnológicas desempenharam um papel fundamental na construção social. No entanto, apesar de ter acompanhado o homem, pode-se dizer que, hodiernamente, existe uma marca diferencial no que diz respeito ao uso dessa ferramenta tecnológica: o crescimento do comércio virtual no Brasil. Tal cenário cibernético é fruto do conforto e da praticidade na hora da compra, que, apesar dos benefícios, podem acarretar o consumo desnecessário, visto os estímulos com propagandas após cada compra online.
Em primeira análise, é válido salientar que a escassez de tempo no mundo contemporâneo faz com que as buscas por facilidade e rapidez sejam maiores. Desde a revolução industrial, a demanda de atividades dos indivíduos se expandiram gradualmente, diminuindo o tempo de lazer restante no dia. Em sua obra ‘’A sociedade do cansaço’’, o filósofo sul coreano Han descreveu sobre a exaustão social, no qual o autor argumenta que cada época possui pandemias próprias, sendo a do século XXI o excesso de produtividade. Seguindo essa linha de pensamento, nota-se que na contemporaneidade o homem vive em um ciclo de produção, em que atividades extracurriculares de lazer, como fazer uma compra, localizam-se em segundo plano pessoal, sendo prioridade a busca por simplificar e acelerar essas tarefas.
Por conseguinte, com o aumento da procura de produtos pela internet e por meio de um controle de dados, ocorre uma manipulação dos usuários induzindo-os a adquirir novos ítens similares àqueles que frequentemente buscam, gerando uma falsa necessidade de consumo no indivíduo. De acordo com o sociólogo Herbert Marcuse, em sua teoria sobre ‘’o homem unidimensional’’, o ser humano vive os pressupostos do mercado em diversas áreas sociais, conduzido pelo sistema industrial a alterar sua subjetividade a partir da criação de falsos desejos. Nesse viés, o uso de propagandas promocionais após uma compra online induz o cliente a ansiar por produtos supérfluos, aumentando as aquisições dispensáveis, como já previa Marcuse.
Destarte, é evidente que o crescimento do comércio virtual traz benefícios mas também males à sociedade. Para evitar tal cenário infeliz, o Estado, por intermédio do Ministério da Comunicação deve criar, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que mostrem o funcionamento dos algoritmos e que alertem os usuários sobre a alienação de consumo que as propagandas após pesquisas na internet podem trazer. Tão somente assim, as inovações tecnológicas continuarão favorecendo o homem na construção social, oferecendo apenas os privilégios cibernéticos.