O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 07/12/2020

O consumo de carne é algo amplamente difundido na sociedade atual, porém, não é igualmente debatido. Esse simples ato tem várias consequências e a abstenção ou redução do consumo é para muitos uma forma de protesto de ordem global, contra a destruição ambiental e a desigualdade social, ou de ordem pessoal, contra a exploração animal. Além disso, se faz necessário analisar os impactos à saúde da forma como esse alimento é ingerido atualmente.

Primeiramente, em um aspecto global, o consumo de carne afeta o ambiente tanto na emissão de gases do efeito estufa quanto na destruição de florestas para áreas de pastagem. Além disso, a indústria pecuária alimenta um número de animais cerca de dez vezes o de humanos no planeta, consumindo quase 75% da produção agrícola mundial, enquanto, segundo a ONU, 11% da população passa fome. Outrossim, em muitos casos esses animais, devidas as péssimas condições de criação, recebem antibióticos desenfreadamente, que podem provocar o surgimento de superbactérias, ao passo que, segundo a CDDEP, mais de 5 milhões de pessoas morrem, todos os anos, por doenças tratáveis com antibióticos.

Analogamente, existem motivos de ordem pessoal para reduzir ou parar o consumo de carne. Para alguns, a carne no prato não vale a vida de um animal e o modo como muitos destes são criados: em espaços extremamente apertados, sem luz solar, sem interações intraespecíficas naturais, maltratados pelos criadores e sendo mortos em uma fração do seu tempo de vida normal, como denuncia Ed, ativista produtor do documentário “Earthlings”. Outro ponto observado é que a carne processada, amplamente incorporada na dieta ocidental, aumenta a chance de infartos, contribui para problemas de pressão, de colesterol, entre outros e foi classificada como cancerígena para humanos pela OMS.

Portanto, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, deve fiscalizar e cobrar que os fornecedores explicitem, nas embalagens, a forma de criação dos animais e os impactos no ambiente e na saúde. Igualmente, o consumidor pode procurar por carnes “orgânicas” de fazendas locais e em menor frequência, participando de movimentos como o Segunda Sem Carne. Ademais, quem opta por consumir, ou não, carne deve sempre respeitar a decisão de outrem, e, se possível, fazer acompanhamento nutricional com um profissional especializado.