O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 11/08/2020

Título:Pensar naquilo que faz bem

Tem se tornado cada vez mais evidente a relação existente entre o modelo de produção de alimentos e a consequência dos problemas relacionados a saúde como o sobrepeso e as doenças crônico-degenerativas.Outras implicações dizem respeito à pobreza, às dificuldades de sobrevivência e à exclusão de pequenos agricultores,às questões de transição nutricional e a insegurança alimentar. Nessa íntima relação, há,ainda,a ocorrência de prejuízos ao meio ambiente, como a perda da biodiversidade, a poluição, o aumento da produção de lixo, a escassez de água, entre outros.

As formas atualmente recorrentes de pensar o consumo de alimentos e a saúde são restritas a uma visão médica e individualista. Mais especificamente, o campo da nutrição, que se especializou e se empenhou em compor padrões nutricionais para a saúde. No entanto, segundo Mennell, Murcott e Oterloo (1992), embora as pessoas conheçam as regras nutricionais é observado que não é colocado em prática. Essa constatação e as pesquisas sobre consumo que têm relacionado os problemas alimentares e de saúde às condições de vida da sociedade moderna industrializada, culminaram com o reconhecimento dos aspectos sociais da alimentação.

Esses problemas atuais servem como base para refletir sobre o desenvolvimento e a saúde de forma mais interligada.Como grande parte dos problemas de saúde é ocasionada pelo meio em que se vive e considerado a alimentação como o principal contribuinte, então, pensar na saúde da população é pensar no modelo alimentar e, consequentemente, no modelo de desenvolvimento que a sociedade está vivendo. Ou seja,as dietas seriam a causa e a consequência de um modelo mais produtivo que oferece gêneros baratos e varejo que têm o poder de influenciar nas escolhas alimentares.

Ao considerar a alimentação como uma questão social, ela se torna também uma questão pública,pois,cabe ao Estado promover ambientes que propiciem o bem-estar dos cidadãos. Tomando como base a perspectiva da criação e recriação de instituições, é possível considerar que um novo modelo produtivo possa ser concretizado a partir de uma nova demanda e que essa possa ser cultivada pela ação do Estado,por meio de programas de saúde e alimentação. Portanto,juntamente ao propósito de mudança estrutural relativa à produção de alimentos, é necessária uma mudança estrutural em relação ao consumo, que é uma parte importante para a reordenação dos sistemas alimentares.