O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 10/08/2020

A carne como base alimentar faz parte da evolução do ser humano pois a partir de uma alimentação carnívora o homem pôde obter os nutrientes necessários para a sua evolução, como as proteínas, vitaminas e principalmente o ferro heme. Porém, com a explosão populacional durante o século XX, a demanda por esse alimento aumentou de forma exponencial. Assim, a ciência moderna permitiu a manutenção do consumo a partir do uso de antibióticos, de vitaminas, de reprodução seletiva, além da pecuária extensiva. Tal cenário se tornará insustentável nas próximas décadas devido ao malefício causado pela pecuária ao meio ambiente, como o uso exacerbado de recursos naturais e a poluição, além do grande risco de contaminação do homem por doenças.

Primeiramente, a carne possui baixa eficiência energética pois para a produção de uma pequena quantidade deste alimento é necessário uma grande quantidade de insumos naturais, e ainda, a pecuária extensiva causa o aumento de problemas ambientais. De acordo com a ONG Green Peace, para a produção de apenas 1 kg de carne é necessário 165 metros quadrados de pasto. Além disso, a pecuária demanda uma grande quantidade de água, cerca de um terço da água potável mundial é utilizada no setor, segundo a revista Science. Por fim, criação de gado é a atividade que mais elimina metano para a atmosfera, gás que contribui para a intensificação do efeito estufa. Desse modo, é clara a importância ambiental da substituição do consumo de proteína animal por vegetal.

Ademais, o consumo de carne é potencialmente causador de doenças. Recentemente tornou-se desafio mundial o combate a pandemia de corona vírus, doença originada pelo consumo de proteína animal, de acordo com as autoridades chinesas. Além disso, historicamente ocorreram pandemias como a salmonela, a gripe aviária e a gripe suína. Essas doenças se multiplicam devido a aglomeração de animais em pequenos espaços demandada no processo produtivo das carnes. As altas doses de antibióticos dadas a estes animais não previnem a proliferação de doenças virais.

Portanto, é de crucial importância a mudança do hábito de consumo de proteína animal. Isso pode ser alcançado a partir de sua substituição por proteínas vegetais, e pela alteração de seu processo produtivo. O governo federal é fator crucial para o sucesso dessa medida por meio da diminuição de impostos em produtos de proteína vegetal, a fim de abaixar o preço para o consumidor final. Dessa forma, a compra desse alimento será mais acessível às famílias brasileiras. Além disso, a pecuária extensiva deve tornar seu processo mais sustentável, mediante a criação de soluções que diminuam o consumo de recursos naturais. Assim, a sociedade estará um passo à frente da mudança de seu hábito alimentar.