O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 10/08/2020

De acordo com um dos relatórios feitos pela ONU sobre as atividades mais poluidoras, destacam-se a mineração — em 1º lugar — e a agropecuária, sobretudo na área da pecuária, a qual garante 2ª colocação no ranking. Entretanto, na contemporaneidade, tal pesquisa não reflete uma significativa mobilização, pelo contrário, nas últimas décadas é irrefutável o consumo exponencial de carne, o que traz consigo — infelizmente — grandes danos ao planeta. É possível afirmar que não só uma cultura que privilegia o consumo de proteína como também o descaso com a questão ambiental fomentam o status quo do século XXI: uma alimentação em detrimento da própria Terra.

Inicialmente, vale dizer que é inquestionável a importância da proteína animal na dieta do homem, a qual possui todos os aminoácidos essenciais e uma importante vitamina para a produção de energia: a vitamina B12. Todavia, a valorização da carne onipresente nas refeições não apenas a deixa mais cara pelo princípio da natureza do mercado de oferta e procura, mas também contendo  uma inerência de fatores econômicos de segregação social e defasagem ecológica. A priori, fica evidente que a exclusão dietética da carne é uma utopia, mas que precisa ser fortemente racionalizada e discutida.

Ademais, um outro tópico de impasse, já brevemente comentado, é a interferência de tal atividade pecuarista no meio ambiente. Problemas como o aquecimento global, desmatamento em massa, desequilíbrio de populações e alto consumo de água  são diretamente relacionados à produção de animais para corte. A partir desse ponto de vista, se mostra necessário uma interferência na área econômica, já que as projeções demográficas para o futuro crescem em associação à demanda por alimento.

Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com as instituições de ensino, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras educativas e campanhas midiáticas acerca da deleteriedade do excesso do consumo de carne — com exemplos didáticos, práticos e reais. Espera-se, com tudo isso, não apena uma diminuição da procura por proteína animal mas também em conjunto da diminuição dos preços de tal: uma democratização da carne e um mundo mais sustentável.