O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 07/08/2020
Os alimentos de origem animal são essenciais nos pratos das mais diversas culturas no mundo. Entretanto, recentemente, notou-se o crescimento de documentários, tais como “Cowspiracy” e “What the Health”, que provocam a desconstrução da necessidade que a sociedade apresenta sobre o consumo deste grupo alimentar, por meio da evidenciação dos impactos socioambientais gerados pela produção destes. Diante das inúmeras problemáticas que o consumo de carne produz, a discussão sobre a diminuição deste alimento é inevitável.
Em primeiro lugar, deve-se apontar o motivo pelo qual a indústria pecuária é um dos fatores que agravam os entraves ambientais. Tendo em vista a vasta área necessária para o pastoril, uma enorme quantidade de árvores são derrubadas a fim de garantir o espaço, o que contribui para o desmatamento de florestas, tais como a floresta Amazônica. Ademais, segundo o documentário “Cowspiracy”, o qual mostra os malefícios do consumo de alimentos de origem animal, aponta que o gás emitido pelo gado, metano, é quatro vezes mais forte que o gás carbônico, liberado pelos transportes. Enquanto as propagandas ambientais implicam na necessidade de reduzir o uso dos transporte, é de extrema importância que os impactos do consumo de carne sejam mutuamente evidenciados para alcançar uma maior redução das emissões.
Além disso, é inegável ressaltar o impacto gerado pela pecuária na má distribuição de alimentos no Brasil. Haja vista a vasta área necessária para a prática, apontada anteriormente, grande parte desta é utilizada na sojicultura, como alimento para o gado. Desta forma, se a mesma área usada para a ração animal produzisse alimentos para o consumo humano, o problema da fome no Brasil - que atualmente atinge 5,2 milhões de pessoas, segundo pesquisas apontadas pela FAO - seria reduzido. Infelizmente, esta é uma mudança radical que tangencia a realidade, porém, é de fundamental importância que a cultura do fanatismo ao consumo de carnes seja repensado e reduzido, a fim de combater a má gestão dos alimentos na população brasileira.
Portanto, torna-se imprescindível que a redução do consumo de carne entre em pauta na sociedade brasileira. Para isso, o Ministério do Meio Ambiente, juntamente a ONGs nacionais, deve promover, por meio da mídia, propagandas que evidenciem os impactos socioambientais gerados pelo hábito alimentar, a fim de conscientizar a sociedade a repensar nos costumes nutritivos. Sendo assim, apesar da restrição total do consumo de carne ser uma medida irreal, a reeducação sobre tal hábito será uma forma de amenizar os impactos gerados pela produção de carnes no Brasil.