O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil
Enviada em 06/02/2024
A série televisiva “Ginny e Georgia’, prodizida pelo streaming Netflix, retrata uma mãe capaz de cometer crimes -como roubos e golpes- para fazer parte da alta sociedade e assim, ostentar os seus bens. Fora da ficção, casos como o problematizado no acervo são comuns no Brasil, uma vez que os indivíduos sentem a necessidade de esbanjar o luxo devido a alta desigualdade social do país. Logo, esse fato deve-se a ideia construída socialmente de consumo e pelo desejo velado de ofender os menos favorecidos em renda.
Nessa perspectiva, é válido mencionar o conceito de “Consumismo Líquido”, do filósofo polonês Zygmunt Bauman. Assim, de acordo ele, as relações socias baseiam-se no consumo exagerado para que o cidadão possa encaixar-se em um determidado grupo. Posto isso, o consumismo deixa de ser apenas a prática de compra de bens -roupas, smartphones e acessórios- para tornar-se também um estilo de vida da sociedade capitalista. Dessa maneira, a ostentação torna-se um problema coletivo, visto que ela molda a população para suprir pequenos prazeres e criar o sentimento de pertencimento no corpo civil.
Outrossim, de acordo com essa lógica de mercado, torna-se comum o hábito de expor a vida luxuosa com o intuito de ofender os que não a possuem. À vista disso, Pierre Bordieu, sociólogo francês, define tal prática como “Violência Simbólica”, uma vez que não exerce agressão física, mas sim psicológica sem que a vítima perceba. Assim sendo, ostentar as riquezas por meio das redes sociais ou do convívio pessoal em um país desigual como o Brasil, acarreta em uma minoria frágil e sem esperança de avanço social.
Torna-se imperativo, portanto, medidas que visem a conscientização à cerca do consumismo e da ostentação. Por isso, é dever das mídias sociais -tal qual Instagram e YouTube- oferecer uma análise crítica da problemática por meio de campanhas e anúncios online para que assim a população brasileira reconheça os malefícios do consumismo. Somente assim, o Brasil será um país com cidadãos conscientes e não como os retratados pela Netflix na série.