O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil
Enviada em 04/11/2023
Desde 1988, a Constituição Federal garante o direito ao bem-estar individual, a fim de promover a integridade coletiva. No entanto, no hodierno contexto nacional a realidade difere do exposto na legislação, principalmente em função do consumismo exacerbado e da cultura da ostentação presentes no Brasil. Isso ocorre pelo fato social e tem como grave consequência a negação da isonomia.
Antes de tudo, é preciso observar como a cultura da ostentação é impulsionada pelo convívio social. A esse respeito, o sociólogo Émile Durkheim define o fato social como uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de exterioridade, coercitividade e generalidade. Sob essa ótica, se uma criança cresce em um ambiente no qual as pessoas compram mercadorias de maneira exagerada, denotando prestígio a esse tipo de hábito, tal indivíduo em formação tende a reproduzir esses comportamentos na vida adulta. Dessa forma, perpetua-se de geração em geração o pensamento de que o consumo e a ostentação são hábitos positivos, atribuindo-se valor ao indivíduo pelo número de bens materiais.
Outrossim, é válido pontuar uma grave consequência da problemática em questão. Nesse sentido, segundo o princípio da isonomia social, criado na Grécia Antiga e utilizado na legislação brasileira, todos os cidadãos devem ter tratamen-to igualitário na sociedade, sem qualquer distinção. Contudo, no contexto da supracitada valorização do poder de compra, nota-se que indivíduos com menor poder aquisitivo são inferiorizados e tratados com menor prestígio por não poderem acompanhar as tendências de consumo presentes na cultura atual. Com isso, a isonomia social é contrariada, pois uma parcela expressiva da população é segregada e desvalorizada em função de sua classe social.
Portanto, faz-se mister modificar o quadro atual. Para tal, cabe ao governo, na condição de garantidor dos direitos individuais, promover uma mudança na mentalidade social. Tal ação deve ocorrer por meio de campanhas midiáticas que incentivem o consumo moderado e a valorização do indivíduo desvinculada do poder aquisitivo, com o objetivo de reduzir a segregação social. Por fim, o consumismo e a cultura da ostentação serão mitigados no Brasil, efetivando as propostas da Magna Carta de 1988.