O conceito de família no século XXI
Enviada em 16/12/2020
A Idade Contemporânea modernizou as dinâmicas sociais e a visão das pessoas a respeito de valores antigos, muitas vezes justificados pela religião, os quais eram considerados únicos e inquestionáveis, um deles é o conceito de família. Atualmente, família não pode mais ser entendida somente quando é formada por um pai, uma mãe e seus filhos ligados por laços sanguíneos, pois existem hoje famílias homoafetivas, poligâmicas, com filhos adotivos, netos criados por avós, entre muitas outras. Essas famílias fora do padrão não são prejudicadas por seu estilo de vida e sim pelo preconceito e desinformação da sociedade, o que é injusto e deve ser reparado, pois as diversidades devem ser respeitadas, para que todos possam viver com sua dignidade e direitos respeitados.
A diversidade incomoda, pois é difícil de se aceitar o que não se consegue entender, sendo mais cômodo continuar seguindo valores tradicionais. Tal fato justifica o grande preconceito sofrido pelos casais homossexuais, o qual dificulta a constituição de uma família, pois é muito mais difícil para eles adotar um filho, por exemplo. Tal realidade as vezes é justificada por possuirem um lar impróprio para crianças, gerando nelas distúrbios de comportamento ou estimulando a homossexualidade, o que incorreto, já que seus problemas são parecidos com os de um filho fruto de um casal heterossexual, a diferença é que elas podem sofrer bullying ou discriminação, devido a uma sociedade preconceituosa.
Adjacente a isso, o Censo de 2010 do IBGE mostra que o conceito tradicional de família, composta por um casal heterossexual com filhos, esteve presente em 49,9% dos lares visitados, enquanto que em 50,1% da vezes, a família ganhou uma nova forma. No entanto, mesmo comprovando a existência de diversas constituições familiares ainda não existem leis que adequem-se à elas, deixando de fornecer a elas os mesmo direitos sociais que uma família deve possuir, por exemplo limitando o acesso à poupanças a netos criados por avós, filhos adotivos ou de pais que não são de sangue mas que os criaram, também há a dificuldade em legitimar sobrenomes, entre outros obstáculos.
Portanto, é evidente que com a diversidade de relações sociais na atualidade, o conceito de família sofreu alterações que devem ser compreendidas e respeitadas. Visto isso, o Ministério da Família com o auxílio de sociólogos e assistentes sociais, os quais possuem maior entendimento da dinâmica social, deve compreender melhor as necessidades dessas novas constituições familiares, para que consigam adaptar as leis de acordo com as demandas dessa parcela da sociedade, proporcionando a essas famílias os mesmos direitos que as tradicionais. Tal mobilização do governo promoverá maior aceitação da população a essas diversidades reduzindo os preconceitos e desenvolvendo uma sociedade mais empática e harmônica.