O conceito de família no século XXI

Enviada em 15/12/2020

“Stuart e lilo”, mesmo sendo um filme infantil, traz reflexões acerca de temas pertinentes e presentes na sociedade, como por exemplo, no âmbito familiar. Na animação, o conceito e a percepção sobre assunto é definido em uma fala que diz: “Família quer dizer nunca abandonar ou esquecer”. Apesar de ser uma frase que indica de forma simples e objetiva o que a família deveria representar, muito se discute a respeito do seu conceito no século XXI, sobretudo, sobre o formato que essa “deveria” ter. Entretanto, muitas dessas discussões, na verdade, são geradas por preconceitos sobre composições familiares diferentes daquela definida como tradicional, decorrente, sobre tudo, de uma visão heteronormativa das relações conjugais.

Primeiramente, é válido destacar que a lenta mudança na mentalidade social colabora com o preconceito vivenciado por famílias não “tradicionais”. Por conta de ideias fundamentadas em um discurso religioso e biológico, alguns indivíduos tem uma percepção de que a única sexualidade normal e natural é a heterossexual, visão essa classificada como heteronormativa. Porém, esse discurso é totalmente incoerênte e apenas serve para colaborar com desvalorização e prejulgação de casais homoafetivos. Como exemplo, há o caso do deputado o Anderson Ferreira, que elaborou um projeto que pretendia definir a entidade familiar como núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio do casamento ou união estável; evidenciando, claramente, a tentativa de invalidar uniões homoafetivos.

Por conta disso, em muito países, há uma luta constante de casais homossexuais no esforço para o reconhecimento de sua junção e validação de sua família. No Brasil, apenas em 2011 foi declarado legal a união estável de pessoas do mesmo sexo e somente em 2013 foi dado permissão para registro do casamento homoafetivo em cartório. Essas conquistas, apesar de tardias, são muito importantes e representam um grande avança na luta por direitos das pessoas LGBTQIA+ no Brasil. Entretanto, ainda ocorre, lamentavelmente, a discriminação desses casais, apesar de exercerem as mesmas funções que uma “família tradicional”.

Portanto, medidas devem ser tomadas para acabar com o preconceito vivenciado por famílias homoafetivas. Para isso, é necessário que o Ministério da Cultura, por meio da parcerias com instituições que apoiem LGBTQIA+, insira cada vez mais nas mídias as relações homoafetivas em programas voltados à família, com a produção de vídeos que deixem transparecer sua rotina e normalidade com relação ao cotidiano familiar. Dessa forma, será possível tornar comum ao dia a dia das pessoas e combater esteriótipos formados a respeito desses casais.