O conceito de família no século XXI

Enviada em 16/12/2020

Em 10.000 a.C., os hominídeos criaram, por laços de afinidade, a mais antiga instituição social: a família, que surge para facilitar a vida dos  seres humanos. De forma análoga, os novos conceitos de família na contemporaneidade também são importantes para um desenvolvimento pleno em sociedade, como na Pré-história. Todavia, preconceitos enraizados e a negligência do Estado impedem os conceitos de família do século XXI a se concretizarem.

Diante desse cenário, o modelo familiar atual é inspirado no modelo bíblico de família do século I, após o nascimento de Jesus, a qual é formada pela união heteroafetiva entre homem e mulher. À vista disso, a sociedade por tender a incorporar os costumes da época, conforme defende Pierre Bourdieu — expoente filósofo francês —, interiorizou, naturalizou e reproduziu tal modelo ao longo das gerações. Infelizmente, essa ideia de família ainda persiste e, hoje, é comum, por exemplo, que as realções familiares homoafetivas sejam vistas como erradas por substancial parcela da sociedade. Asssim, é incoerente que mesmo na contemporaneidade, o conceito familiar seja baseado em um modelo de 2000 anos atrás.

Ademais, o Estado não garante de forma eficaz a constitucionaização das diferentes formas de agrupamento familiar. Acerca disso, o conceito de família no século XXI esbarra no preconceito dos governantes, haja vista que ainda tramita na câmara dos deputados um projeto para reconhecer que as famílias brasileiras sejam somente formadas pela união entre um homem e uma mulher, excluindo assim, todas as outras formas de entidade familiar. Desse modo, se o Estado se mantiver inerte, núcleos familiares que diferem do padrão serão negligenciados.

Evidencia-se, portanto, que medidas precisam ser tomadas para que sejam reconhecidos os novos conceitos de família. Assim, o Poder Público, em parceria com mídias televisvas, deve veicular  na TV aberta campanhas para fomentar a reflexão sobre os modelos modernos familiares. Essa iniciativa poderia se chamar “Famílias Modernas: o amor prevalece” e teria a finalidade de mostrar a importância dessa instituição para a sociedade, além de quebrar ideias enraizadas. Ademais, o Estado deve constitucionalizar, de forma acelerada e eficaz os novos núcleos familiares, por meio de projetos de leis que reconheçam esses núcleos como corretos, de sorte que, o Brasilexperimente uma sociedade justa solidária e moderna.