O conceito de família no século XXI

Enviada em 16/12/2020

O filme “Lilo e Stitch” compõe uma narrativa voltada à explicação do conceito de família, que, para os personagens, significa “nunca mais abandonar”. Com isso, tal animação passa a mensagem de que não deve haver um padrão familiar, pois o mais importante é o vínculo sentimental. Contudo, a sociedade do século XXI é baseada em uma visão patriarcal que determina uma família - pai, mãe e filhos - como modelo correto a ser seguido. Assim, uniões diferentes do padrão, como as homoafetivas, mosaicas e poliamorosas, se tornam vítimas de preconceito, e tal problemática precisa de uma intervenção, posto que atrapalha o desenvolvimento da sociedade.

Primeiramente, vale ressaltar que a desclassificação do não-tradicional é maléfico ao sistema de convívio contemporâneo, pois, ao invalidar modelos diferentes de lares, abrem-se oportunidades de opressão contra eles. Por exemplo, em 2015, foi proposto na Câmara dos Deputados um projeto que dizia que “define-se entidade familiar como núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher”, e isso incentivou a persistência da violência contra casais homossexuais, já que, segundo os defensores do projeto, tais sujeitos não constituem “famílias úteis”, posto que não se reproduzem biologicamente. Destarte, entende-se como o preconceito acerca de um conceito divergente do padrão prejudica o progresso civil da sociedade, afinal, remove a segurança de certos setores.

Entretanto, essa problemática está longe de ser resolvida, porque há pouca abordagem escolar sobre o tema em questão. Como supracitado anteriormente, as intituições sociais são estruturadas no patriarcado e, por conta disso, as escolas se limitam a uma perspectiva heteronormativa. Portanto, acabam não relatando devidamente assuntos que ainda são considerados tabus, como todos as novas possibilidades de haver uma família, por exemplo. Em consequência, o preconceito sobre o tema perpetua entre as gerações, dificultando que a definição de família pelo filme “Lilo e Stitch” seja senso comum na contemporaneidade.

Então, em frente aos fatores levantados, medidas devem ser tomadas para solucionar o impasse. É necessário que o Ministério da Educação promova, por meio de sites da internet, como as redes sociais, e programas midiáticos, campanhas baseadas em pesquisas sobre as novas famílias. Além disso, o mesmo órgão governamental tem o papel de, através de reuniões ministeriais, reestruturar o plano pedagógico das escolas brasileiras, para que sejam inclusas matérias - como cidadania e ética - que incentivem discussões relativas ao tema. Dessa forma, haverá maior circulação de informações progressistas entre as crianças e adolescentes, o que levará todas as formas de família a serem bem-vindas no Brasil e, enfim, o desenvolvimento da sociedade será feito de modo coletivo, empático e civil.