O conceito de família no século XXI
Enviada em 16/12/2020
A série norte-americana ‘Modern Family’ retrata os dilemas sociais que surgem com as estruturas familiares do século XXI. Entretanto, bem como apontado no seriado, a fusão existente entre religião e política se contrapõe às modificações no eixo familiar, de modo que os novos tipos de família ainda buscam aceitação dentro da sociedade, enfrentando formas distintas de preconceito.
Em um primeiro momento, é importante ponderar que, apesar do Brasil ser considerado um país laico, cerca de 20% dos deputados do Congresso Nacional compõem a denominada bancada religiosa. Esse fato evidencia que ainda há uma estreita relação entre política e entidades religiosas, assim como aconteceu até o período imperial, quando o vínculo entre a igreja católica e D. Pedro II foi enfraquecido. Logo, é possível concluir que os dogmas religiosos exercem influência nas decisões políticas, o que retarda as medidas voltadas para a inclusão das novas configurações familiares, a exemplo do projeto de Lei Nº 6583 de 2013 que só reconhecia união entre homem e mulher.
Não obstante, a população também reflete um posicionamento retrógrado perante as famílias modernas, de tal modo que persistem as discussões sobre a adoção de crianças e adolescentes por casais homoafetivos, mesmo após a sua legalização pelo STF, em 2010. Com isso, nota-se que os preconceitos acabam por prejudicar a busca por espaço pelas famílias não-tradicionais, além de formar uma resistência às mudanças nos papeis familiares, como a troca de obrigações entre marido e esposa.
Portanto, o conceito de família precisa ser ampliado, de maneira que acompanhe todas as suas variações. Diante do exposto, cabe ao Ministério da Educação (MEC), por meio de recursos públicos, promover, nas redes de ensino fundamental e médio, palestras e debates sobre as novas estruturas familiares, como forma de conscientizar e introduzir a realidade de cada aluno no âmbito escolar. Dessa forma, espera-se formar gerações mais tolerantes, que compreendam a sociedade como um organismo vivo, em constante mutação, e, por isso, a família se transforma com ela.