O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 03/10/2019

Com o surgimento das indústrias, em meados do século XVIII, o setor alimentício passou a ser caracterizado pela transformação de alimentos obtidos na agricultura e pecuária em produtos industrializados capazes de atender as necessidades dos indivíduos. No Brasil, esse processo somado à influência de consumo da mídia e a aceleração da vida moderna, têm corroborado para a péssima qualidade dos hábitos alimentares, o que oferece cada vez mais riscos a saúde da população. Nesse sentido, convém analisar os principais fatores, consequências e possíveis medidas relacionadas a esse revés social.

A priori, vale ressaltar  que a cultura ‘‘fast-food’’ exerce um papel preponderante no incentivo à alimentação irregular. Acerca disso, é pertinente citar o conceito de ‘‘Indústria Cultural’’ criado pelo sociólogo Theodor Adorno, que identifica os meios midiáticos como os responsáveis por manipular e impedir o consumo consciente dos indivíduos. Seguindo tal premissa, vê-se que os conteúdos das propagandas persuasivas e tentadoras, aliada a rotina corrida dos brasileiros, estimulam a ingestão de diversos alimentos de baixo valor nutricional, como refrigerantes, hambúrgeres e batatas-fritas. Desse modo, à acessibilidade dos preços e praticidade em realizar as refeições, levam as pessoas consumirem produtos semiprontos e processados, o que acarreta sérios problemas de saúde.

Outrossim, é imperioso destacar os efeitos desencadeados pela má alimentação. De acordo com recentes dados do Ministério da Saúde, cerca de 56% da população brasileira está acima do peso. Sob tal conjuntura, nota-se que a substituição de alimentos saudáveis por industrializados, ricos em  açucares e altamente calóricos, associada ao sedentarismo, tem contribuído para o  excessivo acúmulo de gordura corporal da população. Logo, os resultados dessa indisciplina alimentar podem ser refletidos em uma série de doenças crônicas, a exemplo da obesidade, hipertensão e diabetes.

Destarte, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter essa postura inconsciente da sociedade. Dessa forma, cabe ao Governo, mediante ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária(CONAR), fiscalizar as propagandas que estimulam a compra de alimentos saturados e solicitar que estas, avisem o público dos riscos do seu consumo excessivo. Junto a isso, é vital que o Ministério da Saúde promova a reeducação alimentar da população, por meio de projetos nutricionais sobre a importância de uma dieta balanceada, bem como na prevenção de distúrbios funcionais. Só então, será factível assegurar a incorporação de hábitos alimentares saudáveis na rotina do brasileiro e assim, a melhoria de sua qualidade de vida.