O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 04/10/2019
O Brasil tem destaque no cenário internacional como um dos maiores produtores agrícolas do mundo, o que pode passar a ilusão de que o brasileiro de maneira geral se alimenta bem. Entretanto, essa visão falaciosa é contraria a realidade presente no país, pois o comportamento alimentar da maioria da população tem irregularidades. Esse quadro, deve-se a busca por praticidade e o custo elevado de uma dieta saudável. Visto isso, algumas providências são necessárias.
No cerne dessa problemática, está a procura por uma forma de alimentação que seja rápida e fácil. Tal cenário, ocorre porque o tempo e esforço de preparo de comidas processadas é menor, contudo, muitos desses produtos são pobres nutricionalmente e com altos teores de gorduras e sais, como o macarrão instantâneo. Essa conjuntura de acelerar o processo de alimentar se dá, pois a sociedade atual vive em um processo designado como " Modernidade Líquida", o qual segundo Bauman o ritmo das dinâmicas sociais está acelerado pela pressão de se realizar mais tarefas a cada instante da vida. Com isso, o brasileiro acaba por ter uma dieta com uma significativa perda nutritiva, o que a longo prazo pode gerar doenças como avitaminoses, obesidade dentre outras e elevar os gastos do Estado com saúde pública.
Ademais, outro agravante é o valor elevado dos alimentos mais sadios, uma vez que não é possível comê-los sem ter poder aquisitivo para pagá-los. Em meio a um período de recessão econômica vivido no Brasil, grande parte da população recorre a produção alimentar em larga escala devido seu custo menor, para se enquadrar no orçamento familiar. Essa proporção de demanda do mercado requer artifícios que podem manter alto o aproveitamento da produção, mas em contrapartida são nocivos para a saúde. Como é o caso de defensivos agrícolas, reconhecidos como cancerígenos, liberados pela nova proposta de lei de agrotóxicos( projeto de lei do “veneno”) . Com isso, o brasileiro mesmo tendo ciência dos riscos a sua saúde se expõe ao risco por necessidade para não passar por restrições alimentares.
Em prol de mitigar a diferença entre os valores dos alimentos no mercado o Ministério da Agricultura deve criar mecanismos de regionalização da produção orgânica. Para tal, o órgão federal pode trabalhar junto a cooperativas de produtores orgânicos para reduzir os custos finais, como ceder a eles o uso de áreas ociosas nas cidades para a produção de alimentos e fornecer o apoio de especialistas , como engenheiros alimentares e agrônomos. Assim, o hábito alimentar do brasileiro irá melhorar,por que o acesso a comidas mais saudáveis crescerá devido a queda no valor final. Dessa maneira, as doenças associadas a dieta irão reduzir e os gastos governamentais com saúde também.