O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 27/07/2019

A peste negra, numericamente, é considerada uma das epidemias mais devastadoras da história. Dentre os diversos agravantes do seu surto, na idade média, a falta de atenção para com os alimentos ingeridos foi um dos mais relevantes. Séculos após o ocorrido, na contemporaneidade, a preocupação alimentar tornou-se mais evidente, porém ainda observa-se uma população desinformada e conformada com o que lhes é oferecido.

Em primeiro plano, tendo em vista que comidas não hábeis ao consumo demonstram certas características específicas, o conhecimento dos indivíduos com relação a determinados sinais é crucial. O filósofo Aristóteles, em oposição a Platão, defendia o mundo sensível como uma peça fundamental na produção do conhecimento e no cotidiano do ser humano. Tal pensamento mimetiza a importância dos sentidos no comportamento alimentar: saber identificar quando o cheiro, a cor e, até mesmo, o paladar, não são naturais de um determinado produto. Desse modo, desenvolvendo essa capacidade, se garante de forma mais efetiva o bem estar alimentar, uma vez que o controle individual é a etapa final e decisiva do processo.

Por outro lado, com o desenvolvimento das técnicas e tecnologias industriais e agrícolas, fatores como  os resíduos de agrotóxicos e a aplicação de conservantes, ambos imperceptíveis à sensibilidade humana, podem vir a ser extremamente nocivos à saúde. De acordo com dados divulgados pelo Greenpeace, 26% dos agrotóxicos liberados no país no primeiro semestre de 2019 foram banidos dos EUA e de alguns países da Europa devido ao caráter cancerígeno. A população, entretanto, simplesmente aceita por falta de informação, não obtendo controle sobre o que coloca na mesa e, tampouco, de métodos para reduzir tais efeitos – como o auxílio do bicarbonato.

Portanto, diante os fatos supracitados, fica evidente a necessidade de conscientização e controle do comportamento alimentar dos brasileiros. Inicialmente, é de suma importância que o MEC (Ministério da Educação) proponha o desenvolvimento de projetos que aproximem os alunos dos alimentos que consomem, mostrando todo o processo industrial e de cultivo por trás deles, o que a ingestão indevida ou excessiva de alguns pode ocasionar, como um alimento pode demonstrar que não deve ser consumido e ademais dicas, os transformando em indivíduos mais conscientes. Não obstante, o Governo Federal, juntamente com o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), deve investir na pesquisa e aprimoramento dos produtos utilizados pelo mercado, buscando ao máximo conciliar o lucro com os impactos que muitos podem causar. À vista disso, diferentemente da idade média, comer será, somente, um ato prazeroso.