O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 16/11/2021

O filme “Rio” é uma animação sobre Blu e Jade, as únicas aves sobreviventes de sua espécie prestes a entrar em extinção, que foram capturados por uma quadrilha que vende aves raras. Essa obra cinematográfica, apesar de ficção, serve de ponto de partida para um debate de grande importância, isto é, o comércio ilegal de animais silvestres, ato cruel que devasta a biodiversididade e maltrata os seres. Decerto, essa barbaridade praticada contra os animais precisa ser veementemente combatida por razões de ordem legal e moral.

Em primeiro lugar, importa destacar que essa problemática vai de encontro à lei. Sob tal perspectiva, vale mencionar a Constituição Federal em que é posto como proibida a utilização, destruição ou caça da fauna silvestre. Porém, com pesar, verifica-se o abismo entre o regimento e a realidade tangível, haja vista que um número significativo de espécies de animais selvagens estão sendo retiradas brutalmente de seu habitat natural para alimentarem o tráfico e o comércio ilegal. Isso, chega a níveis tão dramáticos, principalmente, em regiões conhecidas por sua natureza exótica, como a Amazônia, que muitas espécies silvestres correm risco de deixarem de existir por causa dessa atividade predatória, a qual causa danos irreparáveis à biodiversidade brasileira.

Em segundo lugar, convém analisar essa questão pelo viés da moral. Nessa linha de raciocínio, cabe mencionar o filósofo Joshua Greene, o qual desenvolveu o conceito de “decência mínima”: a relutância humana em ferir o outro. Ao realizar um paralelo com a ideia do pensador, nota-se que essa relutância parece não existir nas pessoas pessoas que compactuam e colaboram para o tráfico desses animais, visto que veem e tratam animais, unicamente, como objetos para obter lucro, desconsideram seu lado sensível e remove-os de seu lugar de origem para mantê-los em situação deplorável. Assim, é lastimável perceber a tamanha carência de moral no tratamento desses animais e que ainda sofrem com a persistência desse problema.

Portanto, o Ministério do Meio Ambiente- afinal, é o órgão responsável pelas políticas ambientais- deve criar campanhas de combate ao tráfico de animais silvestres, as quais incluam, por exemplo, fiscalização mais efetiva em lugares de grande incidência, educação ambiental para alertar a população e ampla divulgação explicando a problemática e disponibilizando contatos para denúncia. Isso pode ser feito por meio de parcerias com estados e municípios, já que serão mais precisos sobre a sua necessidade local. Dessa forma, essa prática tão cruel será evitada.