O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 07/05/2021

A Declaração Universal dos Direitos dos Animais - importante arcabouço legal do Direito Internacional - assegura tratamento digno aos integrantes da fauna. Apesar disso, a persistência do tráfico de animais no Brasil ameaça essa proteção jurídica. Nesse sentido, a solução do problema pressupõe o enfrentamento à mentalidade exploratória e a proteção ao equilíbrio ambiental.

Em primeiro plano, a manutenção da cultura de exploração é uma nefasta face do tráfico de animais. Isso porque, a colonização do Brasil foi pautada na retirada predatória de recursos - sem preocupação com os impactos aos nativos. Ocorre que a mentalidade da colonização ainda produz efeitos no contrabando da fauna e contextualiza a subjugação inconsequente da vida silvestre. Assim, enquanto a mentalidade exploratória se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com um dos mais graves problemas para o ecossistema: a dominação mercantil da vida animal.

Ademais, convém ressaltar que o comércio ilegal de espécies silvestres coloca em risco o equilíbrio ambiental. O pantanal, por exemplo, depende da dispersão de sementes do Manduvi realizado pela Arara Azul - espécie muito procurada no mercado clandestino - e sem esse trabalho o bioma pode entrar em desequilíbrio ecológico. Tal constatação demonstra que, ao contrário do imaginado popularmente, a ausência de uma espécie afeta vários sistemas e inclusive o clima, por conta de consequências biológicas reflexas. Logo, é incoerente que a biodiversidade do país seja ameaçada por essa conduta.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para combater o tráfico de animais. Nesse paradigma, as escolas - responsáveis pela transformação social - devem conscientizar a população, por meio de projetos pedagógicos, como ações comunitárias e oficinas capazes de dirimir a cultura de exploração presente na sociedade brasileira e demonstrar que o ecossistema não existe unicamente para a exploração, mas para uma convivência harmônica entre as espécies. Essa iniciativa teria a finalidade de proteger o equilíbrio ambiental e de garantir que o Brasil seja uma nação solidária e, de fato, livre do retrógrado pensamento colonial.