O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 15/01/2021
O poeta Carlos Drummond de Andrade metaforizou em seu poema “No Meio do Caminho” a ideia de que, durante a vida, os indivíduos encontrarão empecilhos a serem superados. Sob tal ângulo, percebe-se que o comércio ilegal de animais silvestres no Brasil caracteriza-se em uma prática que devasta a fauna do país e configura-se como um obstáculo para a preservação dos ecossistemas brasileiros. Nesse sentido, cabe avaliar que esse cenário nefasto ocorre em virtude da insuficiência legislativa e da falta de visibilidade do assunto.
Em primeiro lugar, convém mencionar a ineficácia estatal referente ao tema. Em relação a isso, o termo “Ausente Contumaz”, elaborado por Washington Luís, norteia a negligência dos órgãos públicos, em grande parte, com assuntos de aspectos ambientais, como é o caso do tráfico ilegal e venda de animais retirados de seus habitats naturais. A título de exemplificação, nota-se que a lei n° 5.197 de 1967, não é suficiente para a extinção da prática do comércio de animais selvagens no Brasil, visto que, mesmo existindo uma punição para a caça e captura desses animais, muitas pessoas continuam com a ação visando os lucros, além de não possuir uma fiscalização adequada por parte do governo. Tal descaso reflete na extinção e desaparecimento de espécies nativas de algumas regiões, já que, segundo o G1, aves como a arara azul, arara vermelha e mico leão dourado estão desaparecendo de seus habitats devido ao tráfico para comercialização e domesticação desses animais.
Ademais, é válido salientar a falta de visibilidade do tema. Consoante à ideia de Noam Chomsky, a mídia possui a capacidade de silenciar, muitas vezes, determinados assuntos, como a atividade ilegal de comercialização de espécies nativas da Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica e até de ecossistemas maritímos. Dessa forma, é evidente que a problemática, uma vez que não abordada pela imprensa, torna-se um assunto pouco discutido no corpo social. Desse modo, o não protagonismo da temática em questão, a qual deve ser abordada com relevância pelos meios de comunicação, a fim de que se minimizem os impactos relacionados a ela, como a extinção de animais silvestres e de seus ecossistemas naturais, tornem-se esquecidos das prioridades a serem solucionadas no país.
Portanto, o problema mostra-se uma “pedra” a ser removida para o progresso do Brasil. Destarte, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, por meio de verbas sendo destinadas ao assunto, aliar-se ao Ministério da Educação e juntos devem incluir na grade curricular de escolas e universidades aulas e palestras sobre o assunto, com biológos e veterinários, além de desenvolver projetos com os alunos em conjunto com a mídia para elaborar campanhas nas regiões mais afetadas pelo tráfico de animais para então esclarecer os impactos dessa prática para a população, visando melhorar o imbróglio.