O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 06/01/2021

A fauna brasileira é reconhecida no mundo inteiro por sua diversidade de espécies e singularidade genética. Esse fator, inspirou o romantista Gonçalves Dias, “os nossos bosques têm mais vida”, frase que também é imortalizada no Hino Nacional. Esse trecho, demonstra a nossa riqueza biológica como um ícone para a nação, sendo motivo de orgulho para o brasileiro. Entretanto, esse símbolo está ameaçado pelo comércio ilegal de animais silvestres. Assim, é fundamental que ocorra a supressão deste mercado, logo, é necessário que exista a conscientização populacional da liberdade dos animais para que a supressão da oferta e da procura seja efetivada.

Em primeiro lugar, é necessário compreender que o homem exerce dominação sobre toda a cadeia alimentar, portanto, tem a necessidade de controle e satisfação sobre ela. Em analogia a esse princípio, existe a teoria realizada por Foucault, Relações de Poder. Nesta tese, o autor relata que o indivíduo exerce dominação sobre aqueles que estão hierarquicamente inferiorizados no sistema social. Desta forma, o homem realiza controle sobre a fauna por sua posição na cadeia alimentar, assim, existe a justificação de utilizar os animais de acordo com a sua necessidade. Nesse contexto, sentimentos de pertencimento e paternidade são observados com frequência, por meio da procura de espécies para domesticação. Para alterar esse paradigma é fundamental a conscientização sobre a liberdade animal.       Em síntese, aliado à dominação sobre as espécies, existe a fomentação do comércio ilegal, sendo ela, causada pela lei da oferta e procura. Nesse aspecto, o Brasil é um dos líderes mundiais no varejo de espécimes silvestres, segundo o Ibama, os números chegam a 38 milhões de animais comercializados por ano. O fator cultural é um forte incentivador para o sucesso dessas operações, visto que, por muitos anos era comum aos habitantes, em destaque a população interiorana, ter posse de animais nativos. Essa necessidade cultural, leva a formação de demanda, assim, para James Mill, o mercado funciona através do equilíbrio metafísico entre compradores e vendedores. Desta forma para que ocorra o combate contra a mercantilização da fauna brasileira é necessário que exista fiscalização da venda e conscientização dos compradores, a fim de preservar liberdade do animal no país.

Portanto, para que ocorra o combate ao comércio ilegal é fundamental que a população seja conscientizada sobre os direitos dos animais. Assim, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente em parceria com centros de educação, realize aulas sobre a fauna brasileira e a sua importância ao país, com a ideologia de preservação da liberdade animal. Em paralelo a esse ponto, é fundamental que a Polícia Ambiental receba investimentos para a fiscalização e conscientização dos locais de venda ilegal, para que assim, os bosques brasileiros tenham o direito assegurado de possuir mais vida.