O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 25/12/2020

A animação “Rio”, ambientada no Rio de Janeiro, retrata a realidade enfrentada pelas aves sequestradas, para fins comerciais, pelos traficantes. Analogamente ao cenário real brasileiro, observa-se a questão do comércio ilegal de animais silvestres de forma recorrente, haja vista a negligência dos órgãos responsáveis somada ao financiamento do tráfico pela própria sociedade.

A princípio, um dos entraves à erradicação do comércio ilegal é a postura ineficiente dos órgãos responsáveis. Apesar da criação de leis que proíbem tais práticas, como a Lei número 5.197 de 1967, há uma notória falta de prioridade em relação ao meio ambiente nas pautas governamentais, como ressalta o coordenador geral da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres, Dener Giovanini. Dessa forma, se os principais competentes a impedir essas atividades criminosas não dão a devida importância, essa conduta torna-se a maior lacuna na resolução do problema, exemplificada pela falta de recursos direcionados a projetos.

Ademais, a sociedade também deve ser responsabilizada pela persistência da ação criminosa. Como afirma a filósofa Hannah Arendt, o cidadão comum é capaz de praticar o mal, quando esse é banalizado. Nesse sentido, ao adquirir animais ilegalmente há um financiamento indireto da rede tráfico pela população, cujos danos provocados por ele não são noticiados aos consumidores. Assim, ao invés de denunciar e combater esse comércio ilegal, o meio social impulsiona-o.

Portanto, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) deve enrijecer as políticas de fiscalização, por meio do financiamento de expedições aos principais focos de tráfico com equipamento adequado e da intensificação do policiamento em aeroportos, estradas e portos, a fim de promover maior atuação no combate ao comércio ilegal. Deve também organizar campanhas informativas ao público acerca dos impactos gerados ao equilíbrio ecológico devido a essas atividades. Espera-se, com isso, garantir a redução e, possivelmente, a erradicação desse crime no país.