O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 03/11/2023

Em outubro de 1988, a sociedade conheceu um dos documentos mais impor-tantes da história brasileira: a Constituição Cidadã, cujo conteúdo assegura o direi-to à dignidade humana. Em contrapartida, no panorama atual, meninos e meninas sofrem com episódios recorrentes de bullying, a qual é diametralmente oposta à premissa constitucional supracitada. Com efeito, o problema pressupõe que se combata a falha na educação familiar, e a falta de empatia.

Diante desse cenário, a ineficiência das instituições familiares fomenta a manu-tenção dessa violência. Nesse sentido, Talcott Parsons – expoente sociólogo esta-dunidense – afirma que a família é uma máquina de produzir personalidades hu-manas. Sob essa lógica, a partir do raciocínio de Parsons, essa instituição deve – ou deveria – ensinar aos filhos bons valores éticos e morais, como o respeito ao próxi-mo. Todavia, é factual que os casos de bullying demonstram essa lacuna no desen-volvimento do agressor, haja vista os atos de discriminação e violência ao outro. Logo, percebe-se como esse problema promove a vulnerabilidade.

Ademais, cabe pontuar que a ausência de empatia nas relações sociais impul-siona o bullying. A esse respeito, sabe-se que, segundo a Psicologia e a Antropo-logia, essa virtude possibilita a compreensão dos estados emocionais do outro, o que gera uma esfera de convivência mais amigável. No entanto, o bullying é oposto à prática do exercício empático, isso porque fere o indivíduo física e psicologica-mente – a exemplo de apelidos pejorativos, ameaças, ataques físicos. Diante disso, é perceptível como essa prática representa um ataque à dignidade humana, e necessita ser impetuosamente combatida.

Fica evidente, portanto, que o bullying deve ser mitigado. Para tanto, cabe às escolas – responsáveis pela transformação do indivíduo – informar os pais acerca dos perigos da prática de bullying dos seus filhos. Isso se deve por intermédio de projetos pedagógicos, como rodas de conversa e oficinas, com profissionais da Psicologia e Pedagogia que capacitem os tutores e os alunos, a fim de auxiliá-los na compreensão dos malefícios da violência física e psicológica. Essa iniciativa tem a finalidade de promover a prática do exercício empático, e a sociedade, por sua vez, verá o direito à dignidade como uma realidade, em breve, no Brasil.