O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 08/02/2023
A série “Os treze porquês”, produzida pela Netflix, conta a história de Hanna Baker, uma adolescente que, por causa do bullying que sofria em sua escola, acabou se isolando do convívio social até cometer suicídio. Em paralelo a isso, apesar das campanhas de conscientização produzidas ao longo dos anos, a ocorrência de casos de bullying entre crianças e jovens ainda é comum no Brasil, especialmente no ambiente escolar. Nessa perspectiva, o mau exemplo da família e a omissão escolar constituem-se como causas da permanência do dilema.
Dessa forma, em primeiro lugar, o mau exemplo familiar é um entrave no que tange ao problema. Para Hegel, a família possui o papel de ser o primeiro recurso de construção da ética de um indivíduo, dando a eles caráter e valores. Entretanto, quando o jovem vivencia em sua casa atitudes intoleráveis, como agressões verbais e físicas, comentários racistas e homofóbicos, de forma normalizada e indicando superioridade, ele internaliza esse aprendizado e tende a repetí-lo com aqueles em sua volta. Nesse ínterim, a própria família cria um indivíduo agressivo que irá reproduzir na escola aquilo visto em casa, iniciando um ciclo de bullying.
Além disso, a omissão da escola perante esses casos de violência também contribui para a constância do problema. O sociólogo Émille Durkheim acreditava que, em um grupo social, o que prevalesce é a consciência coletiva, em que crenças e sentimentos validados servem de orientação para a vida das pessoas. O meio escolar, porém, que deveria estabelecer a disciplina e o respeito, muitas vezes ignora os eventos de intimidação que acontecem em seu ambiente por considerá-los brincadeira de criança, incluindo em sua consciência social a normalização dessas atitudes. Por conseguinte, as vítimas do bullying não encontram uma forma de buscar ajuda e podem cometer atos de desespero, como ocorreu na série citada.
Portanto, é preciso estabelecer formas de combate ao bullying no Brasil. Sendo assim, o governo federal, em parceiria com as secretarias de assistência social, deve, por meio de palestras e rodas de conversas, produzir eventos gratuitos de combate ao bullying voltados para as famílias e funcionários das escolas, a fim de exibir os perigos da normalização de atitudes violentas e a importância da repreensão. Assim, será possível reeducar a base que instrui os jovens, corrigindo-os de seus erros e evitando que mais crianças se tornem vítimas de qualquer tipo de intimidação.