O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 08/11/2022
Raimundo Teixeira Mendes, em 1889, adaptou o lema positivista “Ordem e Progresso” não só para a bandeira nacional, mas também para a nação que, hoje, enfrenta diversos estorvos. Entre eles, a precariedade do combate ao bullying no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que tal postura gera a desordem e o retrocesso do desenvolvimento social. Percebe-se, assim, a necessidade de mudar esse panorama, calcado na replicação de atitudes nocivas e que tem por consequência o alto índice de transtornos psicológicos.
De início, há de se notar a relevância do assunto. Segundo a psicologia das massas, a universalidade de comportamentos, bem como o enfraquecimento da responsabilidade individual, influencia o coletivo. Infere-se, sob esse viés, que o desejo de pertencer a grupos sociais padroniza as ações humanas, o que corrobora, decerto, o bullying. Ademais, essa conduta, muitas vezes, é transmitida através das gerações. Na saga Harry Potter, por exemplo, o professor Snape, por sofrer intimidações durante a infância, acaba fazendo o mesmo com os discentes.
Por conseguinte, essa repetição acarreta inúmeros problemas, como o número elevado de pessoas com a saúde mental debilitada. Na série “13 Reasons Why”, a título de exemplo, Hannah Baker comete suicídio após anos lidando com o bullying. Distante da ficção, contudo, esse cenário permanece. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 40% dos alunos já foram vítimas da opressão, sendo que 24% deles apresentaram tendências suicidas. Outrossim, a banalização do tópico pela sociedade é, também, um contribuinte para a perpetuação da problemática, visto que tal comportamento invisibiliza os oprimidos.
Portanto, medidas são fundamentais para combater o impasse. Com o objetivo de atenuar os efeitos do bullying sobre a sociedade, cabe ao Ministério da Educação, enquanto mantenedor da ordem escolar, alertar os estudantes quanto aos danos provocados por essa prática. A ação deverá ser promovida por meio da implementação de gincanas a favor da diversidade, visando a divulgação da inclusão social. Além disso, atendimento psicológico deve ser oferecido aos fragilizados. Só assim os brasileiros verão o progresso referido na bandeira como realidade.