O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 30/07/2020
São Tomás de Aquino defendeu que todas as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. No entanto, ao observar o panorama brasileiro atual, em que os casos de bullying continuam ocorrendo com uma grande frequência, percebe-se uma contrariedade entre a realidade e o ponto de vista do filósofo. Convém, então, analisar as causas e os impactos negativos dessa situação na sociedade para, posteriormente, indicar a melhor forma de combate a essa questão.
Primeiramente, é primordial entender a razão pela qual essa situação existe. O bullying ocorre por vários fatores, mas, na maioria dos casos, o que predomina é o ambiente familiar: se uma criança vive em um clima de desrespeito, ela pode passar de vítima (em casa) a agressora (na escola) e começar a oprimir os seus colegas. Isso pode resultar, nas crianças, em depressão e dificuldade para relacionar-se. Desta feita, o filósofo Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sendo assim, para que um problema como o bullying seja resolvido, faz-se necessário debater muito sobre ele. Entretanto, percebe-se uma lacuna no que tange a essa questão, que ainda é muito silenciada. Assim, trazer à pauta esse tema e discuti-lo amplamente aumentaria a change de atuação nele.
Além disso, o filósofo John Locke alega que “As leis fizeram-se para os homens e não para as leis”. Ou seja, ao ser criada uma lei, é preciso que ela seja planejada para melhorar a vida das pessoas em sua aplicação. Entretanto, no que diz respeito ao combate ao bullying na sociedade, a legislação não tem sido suficiente para reverter esse cenário, haja vista que, mesmo com a criação das leis antibullying, uma em 2015 e a outra em 2018, que têm por objetivo promover a conscientização e a prevenção do bullying no Brasil, a problemática encontra-se longe de ser plenamente solucionada. Isso ocorre principalmente devido à negligência estatal em promover punições e fiscalizações para assegurar o cumprimento de ambas as leis.
Portanto, é fundamental que medidas sejam tomadas. Cabe ao Governo Federal, enquanto instância máxima de administração executiva, em parceria com o poder midiático, investir em propagandas informacionais acerca da importância do combate ao bullying, por meio dos veículos de comunicação, a fim de que mais pessoas compreendam que, concomitantemente aos ideias defendidos por São Tomás de Aquino, todos os indivíduos devem ser tratados da mesma forma. Ademais, cabe também ao Governo Federal garantir o cumprimento da lei e o seu aprimoramento, por meio de maiores investimentos destinados ao setores Executivo e Legislativo, responsáveis por, respectivamente, fiscalizar e criar novas leis, com o intuito de extinguir, de vez, os casos de bullying no país.