O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 29/02/2020

A obra “Rostos do carnaval” da escritora modernista Clarice Lispector, enfatiza de modo cultural o anseio insaciável da personagem de torna-se tudo aquilo que quisera ser por meio da tradição afro-brasileira de comemorar o carnaval fantasiado. Nesse contexto, infere-se, portanto, a imensurável simbologia da festa para com o passado sociocultural dos brasileiros. No entanto, essa prática comemorativa vem se limitando a esfera aristocrática, contrariando assim, os princípios que rege a tradição de difundir identidades coletivas, associada a euforia atemporal de se reinventar.

Sob tal viés, é válido analisar o panorama democrático destinado aos programas de entretenimento no período carnavalesco, em quer, a difusão de eventos urbanísticos se centraliza ao público que detém de maiores poderes aquisitivos, contribuindo para o segregacionismo cultural. Tal advento é confirmado pelo IBGE ( Instituto  Brasileiro de Geografia e Estatística ) ao expor que as 75,6% das classes pobres da periferia comemoram o carnaval de modo inerte, utilizando-se do feriado para descanso em pró do cansaço desenvolvido no decorrer da jornada de trabalho fruto da desigualdade social. Ademais, somando-se ao fato de que há uma ausência de segurança ofertada pelo Estado em zonas periféricas, por exemplo, intensifica o fluxo de assassinatos, introduzindo na sociedade uma espécia de intimidação.

Outrossim, a relação histórica do carnaval demonstra fortes preceitos para com a identidade nacional do país, haja vista, que a iniciativa se consolidou ainda no período colonial, sendo enraizado pelos escravos e africanos, tornando-se simbolo de manifestação cultural. Contudo, ao refletir a conjuntura no Brasil hodierno, enaltece de forma peculiar outras características desenvolvida pela sociedade no decorre do tempo, retomando quase sempre, a liberdade de expressão e ao enfrentamento da opressão redigida pela impressa social em limitar como o individuo deve se vestir ou comporta-se em público, estimulando a autonomia do cidadão em conhecer-se melhor, tal qual é defendido pelo filósofo grego Sócrates.

Surge com isso, a latente necessidade do Estado assumir a tarefa de expandir a cultura de modo não apenas lucrativa, mas também visando o entretenimento do ser, afim de garantir programas alternativos para aqueles que não detém de altas condições financeiras. Tal iniciativa pode ser realizada através de eventos consecutivo nos feriados em instituições públicas, como escolas por exemplo, convidando artistas regionais para diverte a comunidade, e incentivar a democratização da festa. Desta forma a consolidação tradicional se fará presente em todas as raízes socais, reapresentando a sociedade a importância do carnaval para o brasileiro enquanto ser descendente do passado hostil da escravidão.