O aumento do vegetarianismo no Brasil

Enviada em 20/05/2021

O aplicativo Instagram foi responsável por popularizar a “segunda sem carne”, uma espécie de campanha que promove diminuir o número de alimentos derivados dos animais toda segunda-feira. Um dos motivos de essa ação ter ficado famosa foi a quantidade de influenciadores digitais que participam e um dos objetivos é promover uma vida mais saudável. No entanto, muitos passaram a associar sentimentos negativos como o de culpa com a alimentação e o vegetarianismo, apesar de uma ação majoritariamente positiva, pode contribuir para o desenvolvimento de uma má relação com a comida em pessoas mais vulneráveis. Além disso, não são todos os que podem ter acesso a produtos vegetarianos, o que torna necessário aumentar as formas de obtenção deles.

Segundo a nutricionista comportamental Camila Estima, a base da dieta brasileira - que é composta por leguminosas como arroz e feijão - é muito boa, mas com tantas informações conflitantes ela é afetada para pior. De fato, a professora e autora Sophie Deram demonstra em seu livro “O Peso das Dietas” que as redes sociais aumentam a quantidade de dietas restritivas e isso inclui, também, o vegetarianismo. Em primeiro lugar, é preciso buscar o auxílio de um nutricionista para adequar uma alimentação sem carnes ao indivíduo, mas nem sempre isso é possível.

Não obstante, o Brasil ainda é um país com alta desigualdade. De acordo com o IBGE, mais de quarenta por cento da população não tem segurança alimentar. Fatores como preço, distância de supermercados para acesso aos produtos, e perecividade têm grande influência na alimentação. Uma dieta vegetariana, por sua vez, pode ser desafiadora para quem é de uma classe social mais baixa. De fato, a maioria dos vegetarianos estão localizados em regiões metropolitanas, segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira. Mesmo com o grande mercado agrário do país, os produtos vegetais são, muitas vezes, substituídos pelos ultraprocessados porque são mais fáceis de serem encontrados.

Portanto, o Ministério da Saúde deve, por meio de incentivos fiscais aos produtores e distribuidores, tornar a alimentação vegetariana saudável uma escolha possível para todos com a finalidade de melhorar a qualidade de vida da população em geral. Dessa forma, será possível trazer uma base alimentar adequada e dissociada da culpa.