O aumento do vegetarianismo no Brasil
Enviada em 05/05/2021
Na série “Os Simpsons” a personagem Lisa em dado momento conscientiza-se de que os aninais possuem senciência. Para além da ficção, vê-se o crescimento do vegetarianismo no Brasil, o que remonta questões de cunho cultural, econômico e legal. A priori, destaca-se o engajamento de ativistas veganos e vegetarianos na desconstrução de ideários especistas, nos quais a imagem do homem é vista enquanto “topo” da cadeia alimentar. Aliado a isso, nota-se a inserção na esfera pública do debate acerca do sofrimento animal.
Comte, ao fundamentar o Positivismo sociológico, com base no darwinismo, fundou um ideário supremacista de determinados povos. Dessa forma, o darwinismo social foi mecanismo ideológico para supressão de direitos em todo mundo. Hodiernamente, o homem considera-se topo da caideia/teia alimentar, o que segundo essa ordem hierárquica constiu direito de dominação aos demais seres. Permeado por esse egocentrismo destruidor o mercado vê caminho para a acumulação de riquezas, a indústria de abate de animais, por exemplo, tem lucros que crescem em progressões exponenciais a cada ano. Contudo, o vegetarianismo surge com força contrária a esse comportamento, segundo dados do IBOPE, no Brasil 14% da população declara-se vegetariana. Fato esse, que corrobora com a disseminação de informações não apenas sobre consumo de animais na alimentação, mas também das demais violências por eles sofridas.
Nesse contexto, destacam-se as utilizações indiscriminadas de animais em testes de produtos dermatológicos, farmacêuticos e também a sua exploração em circos, parques e outras esferas ditas culturais, que estão permeadas pela violência explícita ou velada. Ativistas dos movimentos ambientais, veganos e vegetarianos, vem atuado de maneira incisiva, demonstrando a cruel realidade vivida pelos animais no mundo. Nessa seara, foi discutido no Brasil em 2019 pelo Senado Federal, o estabelecimento da personalidade jurídica para os animais, hoje não mais vistos com objetos, fazendo valer assim o princípio constitucional que atribui ao Estado o dever de proteger a fauna.
Portanto, é fundamental a atuação do Estado, do terceiro setor, das ONG’s e demais agentes da sociedade civil na discussão sobre o vegetarianismo e seus desdobramentos. Para tanto, nota-se a necessidade de um maior grau informatibilidade sobre a causa, que poderá ser adquirido através de ações coletivas em ambientes educacionais, como por exemplo, palestras, aulas públicas e disponibilização de material gratuito acerca dos principios do vegestarianismo. Dessa forma, adquire-se um processo de conscientização e a personagem Lisa deixa de estar apenas na ficção e torna-se real e atuante na construção de um mundo mais equitativo.