O aumento do vegetarianismo no Brasil
Enviada em 30/04/2021
A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, assegura aos cidadãos um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Todavia, o Brasil, por ser, essencialmente, agrário, finda por agredir o solo e poluir o ar com a criação em pastoreio, ferindo a máxima garantida na Carta Magna. A partir disso, torna-se crescente o aumento do vegetarianismo, estilo de vida alimentar em que não se ingere nenhum tipo de carne, motivado pela preocupação, ora com o ambiente, ora com os animais.
Em verdade, o solo e a vegetação são atingidos devido aos grandes lotes de terra destinados ao pasto. Tal estrutura foi consolidada desde o Brasil Colônia, com as bandeiras, processo de interiorização do País, sendo um período em que a pecuária começa a crescer como atividade exportadora. Nesse hiato, na conjuntura atual, ela firma-se, não só por ser lucrativa, mas também pelo estímulo que houve ao consumo de carne, apresentando expoente no “fast food”, a exemplo do “McDonald’s”, que instiga a adesão do produto alimentício desde a infância, chamando atenção com o brinquedo que acompanha o lanche. Sob esse viés, o vegetarianismo tem uma dimensão que perpassa a simples escolha na alimentação, visto que, por fomentar a diminuição da ingestão de carne, auxilia na preservação do meio ambiente, mostrando a importância do tema ser tratado nas escolas.
Outrossim, é evidente que os animais, principalmente, os do pastoreio são vítimas iminentes desse sistema. Nessa perspectiva, quando George Orwell, escritor britânico da contemporaneidade, afirma que os animais são todos iguais, mas uns são mais iguais que outros, ele fornece autoria à ideologia do vegetarianismo. Dessa forma, o autor expressa a divisão existente dentro do próprio reino animal, que exalta o humano e condena o restante, como os coelhos e gatos usados em testes de produtos cosméticos ou as galinhas que possuem a vida estática voltada, majoritariamente, à produção. Assim, a discussão do assunto na mídia e sua importância é necessária.
Destarte, com o intuito de mitigar os problemas supracitados, é mister que o Governo, na figura do Ministério da Educação, custeie projetos, desenvolvidos na base escolar, que coloquem em pauta o vegetarianismo e suas ramificações, explorando nas aulas de sociologia os prejuízos ambientais do consumo exagerado de carne, por meio dos subsídios tributários, com o fito de formar adultos com criticidade suficiente para tomar medidas que viabilizem a manuntenção dos recursos naturais. Ademais, é impreterível que mídia propague os benefícios do modelo vegetariano, acompanhada da ação estatal de tornar obrigatório a indicação na embalagem de produtos que fazem parte dessa corrente.