O aumento de incêndios nas matas brasileiras
Enviada em 13/01/2021
“No meio do caminho tinha uma pedra”. Esse verso do poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade pode ser associado a uma temática atual; já que, em meio a uma era de grandes avanços no Brasil, o aumento do número de queimadas funciona como uma “pedra” que dificulta o continuísmo do progresso brasileiro. Logo, faz-se necessário debater essa problemática, a fim de minimizá-la.
Diante de tal cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que a Constituição de 1988, em seu artigo 6°, garante aos nativos direitos sociais, como segurança e moradia. No entanto, o que se nota, pois, na contemporaneidade é a inoperância dessa garantia constitucional, haja vista a mínima expressividade do estado, ainda em vigor, no que tange às medidas de proteção das unidades de conservação e das terras indígenas. Isso pode ser comprovado quando, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o cerrado deteve de 75% da sua destruição total em áreas “protegidas”. Tal contexto demonstra, por conseguinte, um quadro social caótico, o qual precisa ser combatido para a efetivação dos direitos constitucionais.
Além disso, é mister salientar que o insividualismo é responsável por comprometer o aumento do efeito estufa, pois boa parte dos incêndios florestais podem acontecer para a reforma de pasto. Isso ocorre porque, conforme o escritor José Saramago propõe, em seu livro “Ensaios sobre a cegueira”, há uma “cegueira moral” presente na conduta de muitas pessoas, o que impede uma valorização de interesses benéficos a coletividade. Dessa forma, grandes proprietários de terras obtém lucro, enquanto o planeta Terra é prejudicado. Não é de se estranhar, portanto, que, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases do Efeito Estufa (SEEG), quase metade das emissões brasileiras veio de desmatamentos das florestas nacionais.
Desse modo, percebe-se que o aumento dos incêncios das matas brasileiras é um imbróglio que necessita de mitigação. Assim, o governo, para fazer valer o artigo 6° da Carta Magna, deve realizar investimento no setor de segurança e proteção em áreas de conservação e em terras indígenas, por meio de verbas recuperadas de operação contra a corrupção, como a “Postal Off”. Ademais, a mídia, com seu alto poder persuasivo, deve informar à população, por meio de campanhas a serem divulgadas em diversos espaços, como rádio, televisão e redes sociais sobre os riscos oferecidos pelas queimadas ao meio ambiente, com o objetivo de retirar a população da “cegueira moral” na qual ela se encontra. Assim, será possível remover as “pedras” drummondianas e assegurar o progresso da nação verde-amarela.