O aumento de incêndios nas matas brasileiras

Enviada em 16/01/2021

No clássico da ficção científica de “Duna” de Frank Herbert -premiado escritor americano- a ecologia é vista no planeta desserto Arrakis como um fator crucial para o desenvolvimento de um mundo equilibrado e habitável. Não obstante, esse apreço por uma existência harmonica parece não ter se concretizado no Brasil, frente ao crescente número de incêndios nas matas do país. Nesse sentido, convém analisar tanto a expanção da fronteira do agronegócio como causa autodestrutiva da cadeia de produção, quanto o dano global das queimadas no que tange às mudanças climáticas.

Em primeiro plano, há quem acredite que quanto maior a área de produção da agricultura maior será a produtividade da safra em uma proporção infinita, ao contrário do que se pode pensar, essa lógica não se concretiza na realidade. De acordo com o Antonio Nobre Donato, pesquisador do Inpe, a evapotranspiração da floresta amazônica está intrinsecamente ligada ao regime de chuvas na america latina. Assim, as queimadas ilegais na floresta amazônica motivadas pelo aumento da fronteira agrária contribuem para o fracasso dessa atividade econômica a longo prazo. Dessa forma, é deplorável que a ganância capitalista seja destrutiva para o setor que a possibilita, para além do meio ambiente.

Outrossim, as florestas brasileiras são de grande importância para o mundo, visto que armazenam uma quantidade significativa de CO2 em sua biomassa que só é liberado na atmosfera quando essa madeira é queimada. Diante disso, o movimeto “Friday’s for Future”, liderado pela sueca Greta Thunberg, tem ganhado força em uma escala mundial exigindo que os países cumpram o que prometeram em documentos como o Acordo de Paris, assinado pelo Brasil. Dessa maneira, é esencial que o país enfrente o desafio dos incêndios florestais como uma medida essencial para o futuro do clima do planetário.

Faz-se necessário, portanto que o Ministério do Meio Ambiente desenvolva um conjunto medidas de combate as queimadas, como o financiamento da fiscalização e aumento da equipe de brigadistas atuando nas matas, por meio de uma maior captação de recursos provenientes do aumento de multas. Essas medidas devem ser analisadas semestralmente por cientista e pela equipe ministerial visando um sistema que garanta resultados exponenciais. Espera-se, com isso, não só reduzir os índices de incêndios em território nacional, como também ir de encontro ao pensamento de Herbert sobre a criação de uma relação hamônica entre ser humano, natureza e desenvolvimento.