O aumento de incêndios nas matas brasileiras
Enviada em 12/01/2021
O poeta Carlos Drummond de Andrade metaforizou em seu poema “No Meio do Caminho”, a ideia de que, durante a vida, os indivíduos encontrarão empecilhos a serem superados. Sob tal ângulo, percebe-se que as queimadas criminosas nas matas brasileiras e suas perdas na fauna e flora, configuram-se em um obstáculo difícil de ser superado pelo Brasil. Nesse sentido, cabe avaliar que esse cenário nefasto ocorre em virtude da insuficiência legislativa e da falta de visibilidade do assunto.
Em primeiro lugar, convém mencionar a ineficácia estatal referente ao tema. Em relação a isso, o termo “Ausente Contumaz”, elaborado por Washington Luís, norteia a negligência dos órgãos públicos, em grande parte, com assuntos de aspectos ambientais, como é o caso das inúmeras queimadas trasgressoras nos biomas brasileiros. A título de exemplificação, nota-se que as leis ambientais não são fiscalizadas corretamente pelo governo, visto que apesar das diversas leis protegendo o meio ambiente, o número de queimadas no Cerrado, Amazônia e Pantanal cresce a cada ano, de acordo com a CNN News. Tal descaso reflete no impacto de espécies importantes, já que, segundo o G1.com, durante as queimadas no Pantanal no ano de 2020, houve o desaparecimento de muitas espécies do bioma da região, além da perda de algumas faunas e floras que nem chegaram a ser catalogadas e estudadas.
Ademais, é válido salientar a falta de visibilidade do tema. Consoante à ideia de Noam Chomsky, os veículos de comunicação possuem a capacidade de silenciar, muitas vezes, determinados assuntos, como os incêncios de ato criminoso que drestroem as matas no Brasil. Dessa forma, é evidente que a problemática, uma vez que não abordada pela imprensa de forma correta, torna-se um assunto pouco discutido no corpo social. Desse modo, o não protagonismo da temática em questão, a qual precisa ser abordada com relevância pelos meios de comunicação, a fim de que se minimizem os impactos relacionados a ela, como a extinção de espécies nativas de animais e plantas da região, poluição do ar, contribuição para o aumento do aquecimento global, eliminação de comunidades indígenas e perda da identidade nacional, tornem-se esquecidas das prioridades a serem solucionadas no país.
Portanto, o problema mostra-se uma “pedra” a ser removida para o progresso do Brasil. Destarte, cabe ao Ministério do Meio Ambiente aliar-se ao Ministério da Justiça, e por meio de verbas que já são destinadas ao assunto, aumentar a fiscalização de áreas mais propensas a terem focos de incêndio, com policiais ambientais junto ao uso de drones, além de disponibilizar gestores especializados para descobrir onde começa o problema e então fazer a intervenção, visando assim melhorar o imbróglio das queimadas criminosas. Outrossim, a mídia, mediante notícias, deve exibir as causas e consequências do problema na TV e internet. Logo, a população ficará bem informada sobre a questão.