O aumento de incêndios nas matas brasileiras
Enviada em 10/01/2021
Por conta do processo de colonização do Brasil, atualmente existe uma desigualdade fundiária, muita terra nas mãos de poucos. Nesse sentido, o uso da maioria dessas terras, está direcionado para agricultura, conforme dados do IBGE ( Instituto Brasileiro de Geografia e Estáticas). E relacionado a isto, está o aumento dos incêndios nas matas brasileiras, provocados por atividades agrícolas e a intensificação da ilegalidade na posse de terras.
Nesse contexto, segundo o Instituto de Pesquisas Espaciais ( INPE), houve um aumento de 82% das queimadas este ano, sendo que mais da metade se concentra na Amazônia. Uma vez que, o desmatamento para a implementação de pastagem e agricultura está diretamente ligado a esses focos de incêndios na região, como afirma Ana Alencar, diretora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia ( IPAM). Correlacionado a isso, está a técnica arcaica de atear fogo em uma área da floresta para limpar o espaço, o fogo não controlado se alastra e atinge proporções maiores. É nesse âmbito que acontece o problema, isto é, a constante perca da cobertura vegetal pode ocasionar outros fatores, como uma possível savanização do bioma, de acordo com estudos do cientista brasileiro, Carlos Nobre.
Outrossim, a ocupação das florestas pública não destinadas contribui para agravar os focos de incêndios nas matas. Segundo o Cadastro Ambiental Rural ( CAR), mais de 14 milhões de hectares dessas florestas estão registradas de forma ilegal, ou seja, áreas voltadas para conservação, principalmente, de povos tradicionais, está na posse de particulares. É nessa lógica que a pratica de grilagem está associada com o desmatamento nessas regiões. Sendo que, 66% do desmatamento acontece dentro das áreas ilegais, conforme levantamentos do IPAM. Dessa forma, é nítido a falta de fiscalização e a existência de uma legislação flexível, sendo que o processo de cadastro rural é autodeclaratório, assim os grileiros facilmente conseguem simular um direito sobre a terra e, consequentemente, a permanência de incêndios nas florestas.
Portanto, para reverter tal problemática, é preciso que o Ministério do Meio Ambiente, aumente as fiscalizações sobre as florestas nacionais, por meio de investimentos no IBMA, órgão responsável pelo monitoramento e controle ambiental, com a contratação de agentes que possam manter a segurança nessas regiões. Ademais, a Câmara dos Deputados deve aprovar leis mais rígidas em relação a posse de terras e o desmatamento provocado por incêndios ilegais, com o objetivo de penalizar, rigorosamente os responsáveis. Além disso, campanhas informativas para incentivar as denúncias anônimas devem ser feitas e divulgas em todos os canais de mídia. Assim, uma ação em conjunto e eficiente para combater o problema.