O aumento de incêndios nas matas brasileiras

Enviada em 14/01/2021

A Constituição Federal determina que a preservação ambiental seja exercida pelo poder público, em conjunto com a sociedade. Apesar disso, observa-se que a omissão governamental, tanto pela falta de fiscalização quanto pela não conscientização dos brasileiros, culmina em impactos ambientais, os quais, por haver uma conexão entre os ecossistemas, não se limitam ao seu local de origem e geram um desequilíbrio global.

Em um primeiro momento é importante considerar que a incidência de queimadas tem disparado nos últimos anos, em decorrência do clima seco e da redução dos índices pluviométricos. Ambos os problemas, entretanto, têm como causa comum o desmatamento, que prejudica a atuação da Amazônia no ciclo da chuva e, no Cerrado, acarreta a lixiviação do seu solo, o que diminui o volume dos rios que passam por ele e que desaguam em outros biomas. Por isso, esses dois fatores apontados foram determinantes para que o Pantanal, em 2020, tivesse 40% da sua área destruída, segundo o INPE.

Contudo, todos esses problemas têm como base a falta de medidas práticas do Estado. Esse fato provoca a ineficiência dos órgãos ambientais, os quais, com déficit no quadro de funcionários e sem apoio tecnológico, não conseguem fiscalizar devidamente. Ainda, também não há um trabalho conscientizador voltado para a população, que promova a compreensão sobre os impactos ambientais e as modos de preservação. Logo, essa realidade resulta em ações antrópicas que ajudam a disseminação das queimadas, a exemplo do uso do fogo na limpeza de pastos.

Portanto, o cuidado com o meio ambiente requer comprometimento do governo. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, por meio de recursos públicos, promover a inserção da educação ambiental na grade curricular de colégios públicos e privados, como forma de conscientizar as futuras gerações e fazer com que elas sejam mais atuantes nos debates ambientais. Não obstante, o Ministério do Meio Ambiente deve destinar verbas públicas para o aumento de recurso humano no IBAMA e compartilhar do aparato tecnológico que o INPE já possui, com o objetivo de enrijecer as fiscalizações. Somente assim, Estado e sociedade cumprirão o que prescreve a Constituição Federal.