O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 11/11/2022

A constituição de 1988, documento mais importante da nação brasileira, prevê em seu artigo 6º o direito à saúde para todo e qualquer cidadão. Entretanto, esse direito não é exercido de maneira efetiva, à medida que o número de jovens com DSTs vem aumentando no Brasil. Assim sendo, isso se deve principalmente à indiferença da sociedade à inoperância governamental.

Desse modo, em primeiro plano, cabe salientar a culpa de parte da população no aumento da frequência das mazelas por transmissão sexual. Nesse sentido, a filósofa alemã Hannah Arendt, em seu conceito de “Banalidade do Mal”, reflete sobre a massificação da sociedade ao afirmar que tal processo impede os indivíduos de realizar análises morais acerca da conjuntura vigente, tornando-se alienados. De maneira análoga, os avanços tecnológicos no âmbito da saúde sexual cresceram exponencialmente nas últimas décadas, e por isso, garantiu prevenção, tratamento e até mesmo cura da maioria das DSTs. Isso provocou a tranquilidade e negligência dos jovens quanto ao uso de preservativos, associadas à uma situação de normalidade e irresponsabilidade em detrimento do conhecimento já estabelecido e divulgado sobre os riscos da não prevenção. Sob esse viés, o país vive um retrocesso no cenário infectológico.

Ademais, é de fundamental importância se discutir sobre a ineficiência governamental acerca do controle de infecções provenientes de relações sexuais. Nessa perspectiva, o filósofo italiano Nicolau Maquiavél afirma que o político governa para manter o seu poder e não para preservar o bem-estar social. Dessa maneira, é possível relacionar o pensamento do autor com a atual situação do Brasil, visto que os políticos em sua grande maioria focam apenas em tomadas de decisões populistas, que garantam amplo efetivo de votos, o que gera a negligência

das políticas públicas de conscientização acerca dos cuidados de prevenção sexual. Logo, o número de indivíduos doentes só tende a crescer, já que o interesse individualista dos governantes revela um quadro de inatividade do Estado para solucionar e dar suporte aos infectados.

Portanto, surge a necessidade de intervenção de orgãos competentes. Assim, faz-se necessário que o Ministério da Saúde promova, sob contratação de profissionais da área, o acontecimento de palestras em colégios e universidades de todo o Brasil, acerca da conscientização sobre o uso de preservativos e as consequências do não uso. Com isso, busca-se refrescar no imaginário do povo jovem a necessidade de se previnir para que as doenças sexualmente transmissíveis sejam erradicadas da nação. Assim, espera-se que o artigo 6º seja respeitado e todos tenham acesso à saúde.