O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 07/04/2022
Segundo o célebre sociólogo Zygmunt Bauman, não são as crises que mudam o mundo, e sim a nossa reação à elas. Essa máxima do ilustre escritor polonês pode ser associada à difícil realidade brasileira no que tange à manutenção da saúde pública, pois depreende-se, a partir dela, a possibilidade de, utilizando métodos eficazes, superar os desafios que impedem a contenção do aumento das doenças sexualmente transmissíveis (DST’s) no país. Nesse âmbito, faz-se necessário refletir sobre o impasse e analisar como a desinformação e o tabu, atrelados à subnotificação, corroboram a conjuntura atual.
Sob essa perspectiva, convém enfatizar o preconceito herdado de outras gerações como grande influenciador do revés. Émile Durkheim defendia que a família é a primeira instituição socializadora, e, por isso, possui papel fundamental na formação dos indivíduos. Diante disso, fica claro que, apesar de existir campanhas de prevenção contra DST’s, elas não são efetivas para mudar o comportamento sexual irresponsável dos jovens. Isso ocorre, principalmente, porque o assunto é um tabu em núcleos familiares do Brasil, que, por sua vez, transferem a responsabilidade da educação sexual para terceiros. Dessa forma, os jovens ficam a mercê das descobertas à sua própria maneira, nem sempre com informações confiáveis de saúde, ficando, assim, mais susceptíveis a contração de doenças.
Além disso, vale ressaltar a subnotificação como mais um dos fatores que agravam a problemática. A esse respeito, a Constituição Federal de 1988, documento situado no topo do ordenamento jurídico do país, assegura o acesso à saúde como um direito de todos e dever do Estado. Nesse viés, mesmo a população tendo esse direito constitucional, a desinformação e a falta de consciência da importância da prevenção de doenças, fazem com que as pessoas não busquem o serviço de saúde, contribuindo para o aumento da subnotificação e a ocorrência de novos casos.