O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 17/09/2019

De acordo com Kant e Lamarck, a educação e o meio, respectivamente, são fatores determinantes na formação humana. Nessa perspectiva, tais ferramentas deveriam consolidar uma base sólida no tocante à sexualidade. Entretanto, a persistência de doenças sexualmente transmissíveis no cenário atual demonstra que o Brasil caminha na contramão de iniciativas eficazes. Assim, faz-se necessário desconstruir obstáculos estruturais e sociais, a fim de mitigar a presença dessas patologias.

Em primeira análise, essa condição recai sobre as falhas nas políticas públicas. Conforme um estudo da Universidade Estadual Paulista, crianças e adolescentes que têm uma boa educação sexual lidam com maior seriedade em relação ao tema.Sendo assim, promover o debate sobre a prevenção e o tratamento de DSTs em casa e, sobretudo, na escola, é indispensável para a formação dos indivíduos. No entanto, dados da Folha de São Paulo demonstraram que menos de 20% da rede pública de ensino têm práticas de conscientização ampla e contínua. De fato, esse quadro deve ser tratado com maior relevância, uma vez que a falta de conhecimento influencia diretamente nos altos índices de doenças na juventude, como a sífilis.

Ademais, outro atenuante se dá na criação de tabus por parte do imaginário coletivo. Isso porque as práticas sociais discriminatórias e preconceitos ainda interferem na busca pelo tratamento. Atualmente, o HIV, por exemplo, além de possuir tratamento antiviral altamente eficaz, também é oferecido gratuitamente pelo Ministério da Saúde. Contudo, é notório como os próprios portadores da síndrome internalizam os estereótipos criados pela sociedade, o que dificulta não só processo de aceitação desse jovens, como também a procura por auxílio médico. Dessa maneira, é imprescindível suprimir os estigmas presentes no âmbito social.

Infere-se, portanto, que o aumento de DSTs entre os jovens reflete as falhas nas políticas preventivas. Para reverter essa conjuntura, o Estado deve, por meio dos Ministérios da Saúde e da Educação, promover o acesso à informação, desde o ensino básico, através da orientação sexual, de debates e palestras, com o fito de desenvolver indivíduos conscientes em relação às doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, é fundamental reforçar os tratamentos já existentes, mediante campanhas midiáticas, na intenção de impedir a disseminação dessas patologias. Dessa forma, tornar-se-á possível seguir os caminhos defendidos por Kant e Lamarck, para enfim desconstruir os entraves sociais decorrentes dessa mazela.