O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 09/09/2019

Os movimentos hippies que tiveram sua gênese no desejo de liberdade e paz diante dos diversos conflitos armados e guerras vigentes na década de 80 promoveram além de outros ideais, a famosa frase “Faça amor, não faça guerra”. Os índices de DTs nesse período da história atingiram picos alarmantes, afinal, a desinformação, a falta de acesso a métodos preservativos e até mesmo a sensação de rebeldia tão vívida entre os simpatizantes de tais pensamentos, plantavam um cenário propício à propagação de ideias sexistas que deram por gerar entre inúmeras consequências, o contágio de DSTs .

Na contramão da grande parte dos países desenvolvidos, o Brasil vivencia uma disparidade no que se refere à redução dos casos de doenças sexualmente transmissíveis, em que, mesmo dispondo de campanhas educativas e a doação de preservativos em hospitais e postos de saúde, o número de infectados em todo o território nacional só cresce. Em um país conhecido pelas suas festas populares de inclinação ao prazer e muitas vezes,ao próprio sexo, podendo citar como o carro chefe das mesmas, o carnaval, fica difícil criar veículos eficazes que sirvam de conscientizadores populistas, já que,nem a disponibilidade gratuita de preservativos tem reduzido a crescente detecção de DSTs entre jovens.

A necessidade de desafiar-se, de romper com padrões, coisas tão típicas da juventude, levam inúmeros jovens a mesmo diante das consequências conhecidas, atuarem de forma irresponsável, o que imediatamente pode apresentar-se como algo interessante. Hodiernamente, a facilidade de informação permite uma propagação maciça de materiais, sendo eles dos mais variados assuntos. Assim, ao mesmo tempo que divulga-se a necessidade de proteger-se e o emprego de camisinhas e outros preservativos durante o ato sexual,  bombardea-se os jovens com conteúdos (filmes, pornografia e músicas) com inclinação ao sexo desmedido e ao prazer, independente das consequências .

Vale ressaltar acima de tudo que a negação à utilização de preservativos é um fator deveras cultural, já que a própria sociedade brasileira com seus costumes incentiva de forma direta ou não a tal prática, ficando evidente que mudanças não devem ser efetuadas apenas no meio político, mas também no meio social. Campanhas vinculadas nos meios midiáticos com enfoque na autoproteção e no cuidado ao parceiro sexual devem possuir um conteúdo atrativo de modo a buscar um aumento no uso de preservativos. É primordial a atuação do Estado, principalmente mediante os Ministérios da Educação e Saúde, criando disciplinas escolares voltadas à educação sexual e o investimento em ações de pesquisa e combate às DSTs, contando com medicamentos e aparelhos hospitalares que irão tratar os infectados, garantindo-lhes uma vida com mais qualidade e duradoura.