O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 27/08/2019

Durante a era das Grandes Navegações, a Sífilis, doença sexualmente transmissível (DST), atingiu grande parte da Europa e ganhou o rótulo de “Maldição das Américas”, visto que, até então, era desconhecida. Hoje em dia, mesmo com as evoluções médicas e o acesso às informações, os índices de DST`s, em especial nos jovens, crescem e continuam a gerar medo, assim como no passado.

Observa-se, em primeira instância, que atualmente, os meios de comunicação são responsáveis por grande parte das informações recebidas pelos jovens, que não têm discernimento necessário, para saber se são corretas, distorcidas ou incompletas. Enquanto os pais se calam por não ter um relacionamento aberto com os filhos, e a escola ainda trata o sexo como um tabu, a mídia vende o sexo como mercadoria de consumo, encontrando ávidos fregueses, entre os adolescentes. De acordo com a pesquisadora Anita Chandra, os adolescentes recebem uma quantia considerável de informações sobre o sexo, por meio da TV, e a programação geralmente, não destaca os riscos e responsabilidades do ato. Desse modo, é imprescindível que meios de orientar os jovens corretamente, sejam criados.

Deve-se abordar, ainda, que o descuido da população, e a diminuição da preocupação em relação ao uso do preservativo, contribui para o aumento de DST’s. Atualmente, os jovens preocupam-se mais em sentir prazer, que com a prevenção de doenças, como mostra a pesquisa “Juventude, Comportamento e DST/Aids”, realizada pela Caixa Seguros, com acompanhamento do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em que quatro a cada dez brasileiros de 18 a 29 anos, admitiram não usar camisinha em sua última relação sexual, alegando que ela reduz o prazer. Além disso, segundo o infectologista do Hospital Emílio Ribas, Francisco Ivanildo, a evolução do tratamento de HIV, por exemplo, é um fator que eleva a diminuição de hábitos de preservação, pois o individuo consegue conviver com o vírus, deixando de sentir medo de adquirir a doença. Nota-se que é de extrema relevância alertar a população, sobre a importância do uso de preservativos.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação investir na capacitação e qualificação de profissionais, tendo como resposta a ampliação do conhecimento, o desenvolvimento de habilidades e a formação de uma consciência crítica. Ademais, as ações educativas devem promover o debate, em palestras ministradas por profissionais da saúde, com a participação não apenas dos alunos, mas das famílias também, com o objetivo de ampliar o diálogo entre pais, filhos e escola, desmistificando o tabu do sexo. Por fim, é papel da mídia, investir em propagandas de alerta, ao uso de preservativos, destacando as consequências e informando que, mesmo existindo tratamento para DST’s, o uso dele é completamente necessário.