O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 24/08/2019

Os adolescentes, por natureza, têm uma vivência singular no tempo, caracterizada pela impulsividade e não preocupação com as consequências futuras dos atos realizados aqui e agora. Essa impulsividade e a ausência de orientação sexual tanto familiar, quanto escolar, resultam em uma alta taxa de Doenças Sexualmente Transmissíveis no Brasil.

Observa-se, em primeira instância, que atualmente, os meios de comunicação são responsáveis por grande parte das informações recebidas pelos jovens, que não têm o discernimento necessário para saber se são corretas, distorcidas ou incompletas. Enquanto os pais se calam, por não ter um relacionamento aberto com os filhos, e a escola ainda trata o sexo como tabu, a mídia vende o sexo como mercadoria de consumo, encontrando ávidos fregueses entre os adolescentes. De acordo com a pesquisadora Anita Chandra, os adolescentes recebem uma quantia considerável de informações sobre o sexo por meio da TV e a programação geralmente não destaca os riscos e responsabilidades do ato. Desse modo, é imprescindível que meios de orientar os jovens corretamente sejam criados.

Deve-se abordar, ainda, que o descuido da população e a diminuição da preocupação em relação ao uso do preservativo contribui para  aumento de DST’s. Atualmente, os jovens preocupam-se mais em sentir prazer do que na prevenção de doenças, como mostra a pesquisa “Juventude, Comportamento e DST/Aids”, realizada pela Caixa Seguros com acompanhamento do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em que quatro a cada dez brasileiros de 18 a 29 anos admitiram não usar a camisinha em sua última relação sexual, alegando que ela reduz o prazer. Além disso, segundo o infectologista do Hospital Emílio Ribas, Francisco Ivanildo, a evolução do tratamento de HIV, por exemplo, é um fator que eleva a diminuição de hábitos de preservação, pois o individuo consegue conviver com o vírus e deixa de sentir medo de adquirir a doença. Nota-se que é de extrema relevância alertar a população sobre a importância do uso de preservativos.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação investir na capacitação e qualificação de profissionais, tendo como resposta a ampliação do conhecimento, o desenvolvimento de habilidades e a formação de uma consciência crítica. Ademais, as ações educativas também devem promover o debate, em palestras ministradas por profissionais da saúde, com a participação não apenas dos alunos, mas das famílias também, com o objetivo de ampliar o diálogo entre pais, filhos e escola, desmistificando o tabu do sexo. Por fim, é papel da mídia, investir em propagandas de alerta ao uso de preservativos, destacando as consequências e informando que, mesmo existindo tratamento para DST’s, o uso dele é completamente necessário.