O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 23/08/2019

Os preservativos sexuais são utilizados desde a Antiguidade, no Egito, com o uso de tripas de animais, até a atualidade, com a descoberta do látex. Entretanto, após a chegada das pílulas anticoncepcionais, a camisinha passou a ser negligenciada, principalmente por jovens, nos anos 90 do século vinte. Analogamente, nesse período surgiu uma pandemia de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), que alertou os países sobre a urgência de se discutir sobre doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Atualmente, no Brasil essa questão é preocupante, visto que o número de afetados cresce anualmente, tornando necessária a adoção de medidas para reverter essa situação.

Em primeiro lugar, é necessário considerar os motivos do aumento das DSTs entre os jovens brasileiros. É possível pensar na cultura católica do país, provinda da chegada dos jesuítas em 1530, que determinou a educação sexual como um tabu. Dessa forma, não há discussão sobre o assunto nas famílias e escolas, de forma que os jovens ficam a mercê das doenças porque, por exemplo, não sabem como utilizar preservativo ou que pílulas anticoncepcionais previnem apenas gravidez, como é ilustrado na série britânica ‘‘Sex Education’’. Ademais, a ineficiência do Estado agrava a situação, visto que não proporcionam políticas públicas para os jovens, limitando-se a propagandas informativas e a distribuição de preservativos apenas durante o carnaval.

Destarte, como consequência desses fatores, o Ministério da Saúde registrou cerca de cinquenta mil novos casos de infectados por DSTs no Brasil, em especial pela AIDS, principalmente, entre jovens de até 29 anos. Além disso, é perceptível o preconceito da sociedade em relação aos soropositivos, devido aos mitos que circundam o assunto desde os anos 90, no qual homossexuais e prostitutas foram muito afetados, permanecendo a errônea ideia, até os dias atuais, de que apenas essa parcela da população é afetada. Esse prejulgamento é fruto do desconhecimento sobre as formas de transmissão e leva ao medo de realizar o teste, visto que apenas vinte e cinco por cento dos jovens do país efetuaram-no.

Portanto, urgem medidas para mitigar essa questão. Para tanto, é imprescindível que o Ministério da Educação institua a educação sexual como parte do currículo das escolas, como é feito pelos próprios alunos na série ‘‘Sex Education’’, cujos resultados são positivos na saúde sexual desses, devido a eliminação dos tabus e a divulgação de informação sobre como prevenir-se. Outrossim, é urgente a necessidade do Ministério da Saúde de promover grupos operativos, principalmente em locais com alto índice de DSTs, para informar à população como devem se cuidar. Isso pode ser feito através da distribuição de panfletos e de preservativos e, também, de palestras feitas por profissionais da saúde, com apoio da midía, à fim de atingir o maior público possível e reverter gradualmente esse cenário.