O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 21/08/2019

É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito do aumento das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) entre os jovens. Sob tal análise pode-se ligar a pedra, presente na obra Drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente à inoperância estatal, mas também a falta de diálogo familiar.

Em primeira análise, pontua-se o desleixo governamental como precursor do agravamento da situação. Segundo Aristóteles, o Governo deve, acima de tudo, garantir o bem-estar da sociedade. Porém, nota-se o descaso das autoridades públicas em relação à criação de projetos que visem informar e combater os alarmantes índices de infeções sexuais entre os jovens. Esse desdém é evidenciado por meio da pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde, a qual aponta que, 38.090 casos de aids foram registrados no Brasil, no ano de 2016. Nesse contexto, verifica-se a necessidade de uma transformação político-social, a fim de que os ideais aristotélicos retornem ao cerne dos princípios governamentais e os acontecimentos supracitados possam ser mitigados à população.

Outrossim, a ausência de diálogo familiar contribui para a acentuação da problemática. De acordo com a teoria da tábula rasa, de John Locke, “o ser humano é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências”. Nesse sentido, o filósofo ratifica a importância que os pais possuem no desenvolvimento e na transmissão de valores socioculturais aos descendentes, sobretudo no âmbito educacional. No entanto, atualmente, percebe-se o diálogo entre pais e filhos cada vez mais ausente na instituição familiar, e em virtude disso as velhas conversas sobre os meios de precaução na hora do sexo são esquecidas e o jovem desentendido do assunto fica a mercê dessas mazelas.

Logo, para que o triunfo sob a problemática seja efetivado, urge que o Ministério da Saúde, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova campanhas assistencialistas com o intuito de informar aos jovens sobre as consequências do sexo sem proteção. Ademais, essa ação deverá ser posta em prática mediante a ministração de palestras e aulas de educação sexual, com o objetivo de diminuir os altos índices de infecções sexuais entre os jovens. Ainda assim, as famílias brasileiras devem tomar ciência de que o diálogo familiar faz-se imprescindível para evitar adversidades como essa.