O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 20/08/2019

Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, ainda que cada sujeito possua sua individualidade, esta se entrelaça no contexto social dos diversos grupos e instituições das quais participa. Ao considerar esse olhar como ponto de partida para o aumento de doenças sexualmente transmissíveis, as DSTs, é nítida a influência de certos grupos na construção desse problema. Nesse contexto, torna-se pontual não apenas questionar como o governo falha no incentivo ao combate a essas doenças, mas também analisar seus impactos no organismo social.

Em primeira observação, é importante compreender o papel pouco eficaz do governo no que tange o combate às DSTs. Nessa ótica, confirma-se a ideia de Bourdieu, na medida em que a esfera governamental age de modo a influenciar as diversas peculiaridades sociais. Cabe analisar, também, como a sazonalidade de campanhas, sendo essas majoritariamente veiculadas no verão e no carnaval, catalisa a problemática, pois é clara a deficiência midiática nesse combate no restante do ano, favorecendo a disseminação dessas infecções sexualmente transmissíveis, saturando o já precário sistema de saúde brasileiro. Vê-se, por conseguinte, a necessidade de participação mais ativa e eficaz governamental, independente da época, na erradicação dessas doenças e na promoção de saúde pública.

Paralelamente à questão governamental, outro ponto relevante, nesse cenário, é como o contexto pós-moderno dificulta o combate à problemática. Nesse viés, constata-se a ideia de Zygmunt Bauman, pois, em sua obra “O mal-estar na pós-modernidade”, o pensador advoga que o indivíduo contemporâneo age de maneira irracional por ser vitimado pela cegueira moral. Isso significa que a sociedade não instrui seus indivíduos para a real diferenciação entre os avanços no tratamento e a cura, comumente confundidos, criando uma ilusão de segurança nos que optam por não fazer o uso de preservativos, pela falsa convicção de menor gravidade dessas doenças, em razão do avanço medicinal e, dessa maneira, caracterizam-se como cegos na analogia do pensador. Configura-se como determinante, portanto, a necessidade de reestipulação de valores do corpo social para livrá-los dos problemas advindos do tema.

Haja vista as problemáticas decorrentes do aumento do número de DSTs, é mister a implantação de medidas para detê-las. A princípio, é fundamental que o Ministério da Saúde crie uma nova diretriz publicitária, de forma a intensificar as campanhas por meio da determinação de metas trimestrais a serem atingidas, criando uma participação mais ativa e eficaz governamental nesse quesito. Ademais, cabe ao Ministério da Educação a criação de uma nova matriz educacional, a ser inserida no ensino médio, período de amadurecimento sexual dos jovens, que institua a educação sexual como prioritária, alertando-os dos riscos das DSTs e do não uso dos preservativos, de modo a conscientizar a população e a afastar desse risco. Com essas iniciativas, espera-se que o agrupamento social, proposto por Bourdieu, possa conduzir a relações mais humanizadas.