O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 19/08/2019
Para o filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, o maior peso da liberdade está na consciência do indivíduo em ter que arcar com as consequências de todas as suas ações. Contudo, no Brasil, os jovens parecem ter esquecido dessa responsabilidade ao contraírem doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) pela negligência e falta de informação.
Primeiramente, é válido ressaltar a importância do uso do preservativo para prevenir as DSTs. Aids, Sífilis e Herpes são algumas das várias doenças que podem ser prevenidas pela utilização desse contraceptivo. Não obstante, muitas dessas enfermidades não apresentam sintomas por longos períodos, o que leva a população juvenil à subestimar sua prevenção. De acordo com dados do Ministério da Saúde (MS), 827 mil pessoas vivem com o HIV no Brasil, e aproximadamente 112 mil não sabem que possuem o vírus. Destarte, há o aumento das DSTs entre jovens pelo pensamento errôneo que por não apresentar sintomas, não deve-se prevenir.
Ademais, a falta de informação sobre o que fazer num possível contágio de HIV é um fator que contribui para uma maior quantidade de doentes. A profilaxia pós exposição (PEP) é um conjunto de medicamentos que devem ser tomados por 28 dias imediatamente após relações sexuais desprotegidas. Essa medicação é oferecida de forma gratuita nos serviços de saúde. No entanto, a difusão dessa medida ainda é irrisória, o que tem como consequência um alto número de casos de adolescentes enfermos que poderiam ser revertidos ainda no primórdio da doença.
Infere-se, portanto, que o aumento das DSTs entre jovens é decorrente do desmerecimento das enfermidades e lacunas na informação de como agir em situações de risco. Nesse sentido, urge que o MS, em conjunto com infectologistas, promovam palestras sobre as doenças sexualmente transmissíveis, enfatizando a necessidade da utilização do preservativo mesmo sem a presença de sintomas. Essa ação deve ser realizada de forma trimestral juntamente com a difusão da PEP em escolas e parques, com o fito de reduzir a quantidade de jovens brasileiros acometidos pelas DSTs. Desse modo, os adolescentes podem ter uma maior consciência das consequências das suas ações, exercendo totalmente a liberdade proposta por Sartre.