O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 09/08/2019
Em seu livro “O cortiço”, o autor brasileiro, Aluísio Azevedo, expõe como a promiscuidade e a falta de cautela na prática sexual podem levar um indivíduo ao seu pior estado de natureza. Fora das páginas, é fato que a cópula desenfreada, sem o cuidado necessário, também acarreta diversas problemáticas para os adolescentes. Desse modo, o aumento da disseminação de DSTs entre os jovens perpassa por falta de informação sobre métodos de prevenção e é fomentada, principalmente, por uma significativa influência da mídia.
A princípio, reconhece-se como a falta de educação sexual agrava, de forma sistêmica, a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis entre os mais jovens. Segundo o pedagogo, Paulo Coelho, o sistema de ensino brasileiro não promove uma plena integração entre conhecimento acadêmico e vivência cotidiana, ou seja – não há um incentivo em fazer assimilação entre o conteúdo aprendido em aula e como utilizá-lo em sua vida. Dessa maneira, é indubitável que, por mais que adolescentes aprendam nas aulas de Ciências os problemas acarretados pelas DSTs, eles não tem plena ciência de como evitá-los com uma prática sexual adequada e com o uso de camisinha.
Além disso, a exacerbada sexualização das propagandas para adolescentes amplia ainda mais os índices de ocorrência dessas doenças entre essa população. Acerca disso, é ponto pacífico rememorar o discurso do linguista, Noam Chomsky, que disserta que a mídia atua como precursora de comportamentos entre seus usuários e, na maioria das vezes, tais comportamentos são nocivos a seus praticantes. Logo, novelas de adolescentes, ou até mesmo propagandas para esse público, que estimulam o namoro infantil e romantizam relações de amizades, corroboram exponencialmente para tornar o sexo cada vez mais precoce e, consequentemente – se realizado sem proteção – ampliam também os índices de DSTS entre esse público-alvo.
Destarte, medidas urgem serem tomadas para mitigar essa problemática. Para tanto, faz-se mister que o Ministério da Educação e Cultura, crie cartilhas para serem usadas nas aulas de ciência, que por meio de figuras ilustrativas e informações na linguagem dos adolescentes, informem os perigos da influência midiática na disseminação de DSTs. Ainda, essas cartilhas poderiam indicar métodos para se prevenir essas doenças como o uso de camisinha e a prática sexual consciente. Dessa forma, é passível de concepção uma realidade onde problemáticas, como as de “O cortiço”, façam parte apenas da literatura e não mais do cotidiano do jovem brasileiro.