O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 07/08/2019

Desde a campanha presidencial de 2018, o Brasil tem passado por uma onda conservadora que vem tornando o debate acerca do sexo um tabu cada vez maior. Associado a isso, a falta de educação sexual nas escolas e lares têm culminado com o aumento de DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) entre os jovens brasileiros, cenário esse que se torna preocupante. Destarte, é preciso conhecer os diversos estigmas a respeito desse problema, na propensão de solucioná-lo.

Como primeira constatação, observa-se que as falácias e a postura conservadora do atual governo brasileiro possuem estreita relação com o embaraçamento da discurssão a respeito do sexo no país. Eleito em 2018, o chefe da nação em exercício, Jair Bolsonaro,  revelou à mídia brasileira, em uma de suas polêmicas declarações, que supostamente “mamadeiras de piroca” e “kits gay” estavam sendo distribuídos em escolas paulistas - como noticiou o G1 no fim do ano passado. Além disso, o posicionamento da atual ministra do Ministério da Família, Mulher e Direitos Humanos - Damares Alves - de que seria um absurdo criança aprender sobre sexo na escola, como visto em suas publicações na rede social Twitter, acabam, juntas, a levar o debate a ficar ainda mais tabulizado e a afastar as escolas de promoverem o ensino dessas pautas. Dessa maneira, nota-se que o Estado brasileiro acaba contribuindo para o crescimento de DSTs entre os jovens e que mudanças políticas devem ser feitas.

Em semelhante proporção, a resistência da família brasileira em promover educação sexual aos futuros cidadãos é um mecanismo intenso desse impasse. De acordo com o filósofo Foucault, alguns assuntos sofrem restrições e, no meio familiar, a pauta sexo é um desses. Seja por vergonha ou por crer que é papel da escola o ensino, muitas famílias acabam a deixar de lado a educação sexual de seus jovens e, sem a ação efetiva do Estado, o número de infectados por DSTs no país, principalmente  de jovens, só tende a crescer - como é noticiado pelos meios midiáticos. Nessa perspectiva, a sociedade torna-se a principal vítima de suas próprias contradições, omissões e condutas.

Portanto, como o educador brasileiro Paulo Freire disse - se a educação, por um lado, não muda o mundo, por outro, a ausência dela torna inviável qualquer mudança - a educação é a palavra-chave para a resolução da problemática. Dessa maneira, é necessário que o governo brasileiro reveja suas atitudes, por meio de análise de seus discursos, para que note que a educação sexual é medida prioritária para mudanças efetivas na sociedade. Ademais, é imperativo que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, torne a educação sexual matéria obrigatória desde o ensino infantil, juntamente com o acompanhamento dos pais, por meio de explicações e aulas temáticas, com objetivo de erradicar as DSTs entre os jovens brasileiros e, consequentemente, entre os próprios adultos.