O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 04/08/2019
A denominação “doenças venéreas” teve início na história antiga, especificamente em Roma: Venérea vem de Vênus, deusa romana do amor. Nos dias atuais, esse nome sofreu alteração; as doenças contraídas através da relação sexual são chamadas de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), as quais os jovens brasileiros têm adquirido com maior vigor nos últimos anos, causando pressão nos sistemas públicos de saúde e muitas vezes morte para os contagiados.
A priori, é visível a alheação dos jovens quanto a educação sexual. Tal falha resulta numa banalização por parte deles ao uso de preservativos, já que, por não compreenderem as doenças, não temem as DSTs. Pesquisas realizadas pela FCAP mostram que, entre os adolescentes entrevistados, 21,6% acreditava que a AIDs tinha cura, expressando a sua alienação para com essas doenças. Adicionalmente, aqueles que não usam preservativos podem ser contagiados por uma DST e, depois, sofrer preconceitos oriundos de uma sociedade que responde por marginalizar os doentes, que precisam de cuidados e compreensão. Tal ato de exclusão pode resultar no que o sociólogo Émile Durkheim chama de suicídio egoísta-onde o indivíduo é rejeitado da sociedade e acaba por tirar sua vida. Exemplo desse contexto é a autobiografia de Valéria Polizzi, Depois daquela viagem, na qual conta como foi contagiada pelo vírus HIV e, por medo da reação de conhecidos, optou por esperar a morte e não contar sobre ser soropositiva a ninguém.
Além disso, o aumento do número de jovens com DSTs pode causar maior caos em sistemas públicos de saúde. Tal sistema já é problemático com falta de atendimento médico em postos de saúde, superlotações em hospitais e falta de medicamentos, ou seja, o aumento em ritmo desenfreado de adolescentes com DSTs pode e deve gerar o caos hospitalar se nada for feito a respeito; além de levar a desistência daqueles que portam as infecções e buscam por amparo médico. Exemplo disso, são as diversas matérias em jornais locais, como o Jornal Nacional, demonstrando a trágica realidade de doentes precisando de atendimento e não obtendo-o.
Em suma, é de vital importância a queda do número de jovens com doenças sexualmente transmissíveis. Para isso, é preciso que o Ministério da Educação invista em aulas transdisciplinares-entre as matérias de biologia, sociologia e geografia-em escolas e cobrem o assunto de educação sexual na grade curricular dessas instituições de ensino, e assim esses adolescentes compreendam as causas e consequências das DSTs e se previnam do contágio. Além disso, é importante o investimento do Estado no sistema público de saúde, para poder suprir a necessidade desses jovens de ter um atendimento digno hospitalar, tal como é seu direito de acordo com o artigo 5º da constituição.