O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 02/08/2019

No filme" Clube de Compras Dallas" é retratado a história de Ron Woodroof, portador do vírus HIV, na década de 80, que enfrentava dificuldades no tratamento devido ao escasso avanço científico na área. Nesse contexto,hoje ,no Brasil, há um preocupante aumento de DSTs entre os jovens, cujos alicerces são a banalização das ISTs e a dinâmica das relações afetivas.

Em primeiro plano, a banalização das ISTs advém da segurança proporcionada pelos avanços tecnológicos na medicina.Nesse sentido, o desenvolvimento de antibióticos e antivirais capazes de oferecer tratamento ou contenção sintomática, do patógeno, fomentaram um efeito social negativo. Desse modo, a disseminação dessas doenças foi facilitada,pois diferentemente da época do filme" Clube de Compras Dallas"  doenças como a AIDS não são mais uma sentença de morte e, portanto, potencializam ações imprudentes, como o desuso de preservativos.

Outrossim, as relações afetivas, atualmente, são caracterizadas pela necessidade de se conectar e desconectar de forma igualmente rápida,o que se traduz como sendo amor líquido, conceito do filósofo Zygmunt Bauman.Nessa perspectiva, aplicativos como o Tinder ganham espaço na sociedade, e estimulam relações cada vez mais pautadas pela efemeridade e superficialidade.Dessa forma, as relações sexuais tornam-se triviais e carecem de cuidados fundamentais para a prevenção de ISTs.

Em suma, o crescimento de doenças sexualmente transmissíveis entre jovens brasileiros é resultado de uma liquidez das relações afetivas associada à banalização dessas enfermidades.Dessarte, urge do Ministério da Saúde a produção de campanhas midiáticas, com linguagem específica do meio jovem, cuja abordagem seja sobre os desafios de se conviver com uma IST, por meio do youtube e com apoio de influenciadores digitais, com o fito de mitigar a banalização. Na mesma linha, é necessário uma desconstrução da liquidez afetiva, mediante a criação de espaços públicos que estimulem,unicamente,relações não virtuais.