O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 28/07/2019

Na série " Elite", a protagonista Marina Nunier, mostra o dia a dia de uma pessoa infectada com Aids, desde o julgamento da sociedade até a dificuldade de realizar o tratamento adequado. Fora da ficção, no Brasil, as doenças sexualmente transmissíveis crescem de forma desenfreada, principalmente entre os jovens. Nesse cenário, a precária educação sexual e os estigmas relacionados ao tema agravam a situação atual. Destarte, faz-se pertinente debater acerca dessa problemática.

A priori, é imperioso destacar que, segundo Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Sob essa ótica, de forma análoga, pode-se afirmar que é papel do meio educacional fornecer a educação sexual necessária as crianças e adolescentes, entretanto, muitas vezes ele a negligencia. Isso acontece, pois existe um grande medo de incentivar a prática de sexo precocemente ao falar sobre. Sendo assim, os jovens banalizam o uso da camisinha, principalmente pela ausência de informações sobre as terríveis consequências da contração  de diversas DST’s.

Outrossim, é válido ressaltar que, historicamente as DST’s são consideradas doenças que apenas pessoas promíscuas tinham, o que gerou muito preconceito e silenciamento sobre o assunto. Dessa forma, de acordo com a Organização Mundial de Saúde ocorrem 340 milhões de novos casos de DSTs curáveis no mundo e, destas, cerca de 12 milhões no Brasil. Todavia, os esteriótipos relacionados ao tema e o despreparo profissional, fazem a busca do tratamento ser tardia e muitas vezes ineficaz, por motivo de vergonha, o que favorece sua disseminação. Portanto, a visão compartilhada que essas doenças são motivo de condenação, comprova a ausência de laços e redes capazes de acolher o sujeito e oferecer notoriedade a sua aflição.

Diante desse panorama, faz-se imprescindível a tomada de medidas ao entrave abordado. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, discutir nas aulas de sociologia e biologia a importância do uso de preservativos, por meio de rodas de debate e peças teatrais que mostrem a realidade por trás do sexo sem proteção, com o intuito de desenvolver o senso crítico e disseminar a informação. Ademais, é mister que o Ministério da Saúde, em parcerias com as universidades, crie cursinhos, de cunho obrigatório, para estudantes de medicina, onde seja ensinado por psicólogos qual é o tratamento correto para uma pessoa portadora de DST, a fim de que os estigmas sejam rompidos no âmbito médico. Espera-se, com isso, que a história de Marina se restrinja a ficção.