O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 20/07/2019
“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância que ultrapassa a da própria existência. Entretanto, isto não é uma realidade entre os jovens brasileiros, que são os mais afetados pelo aumento das ISTs (infecções sexualmente transmissíveis). Com isso, ao invés de agir para aproximar essa conjuntura à descrita por Platão, a combinação de fatores culturais e educacionais trata de afastá-las.
Em primeira análise, percebe-se que a banalização dos riscos de tais doenças torna os jovens mais vulneráveis adquiri-las. Com a melhora nos tratamentos, os jovens passaram a enxergar as ISTs como enfermidades leves e facilmente curáveis, dispensando, muitas vezes, o uso de métodos preventivos. Isto foi evidenciado por uma pesquisa realizada pela Pacp (Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira) com jovens de 15 a 24 anos, dos quais 60% afirmaram haver praticado sexo sem preservativo em 2013 e 21,6% acreditavam que a Aids tem cura. Outrossim, esse comportamento negligente favoreceu um significativo aumento da ocorrência de ISTs dentre os indivíduos dessa faixa etária.
Ademais, a pouca importância dada à educação sexual pela sociedade brasileira contribui para a perpetuação do quadro atual. Primordialmente, há uma resistência advinda de boa parcela das famílias em tratar o tema com seus filhos, já que o consideram um tabu, algo que não deve ser debatido entre jovens e adultos. Em segundo plano, por não figurar como matéria obrigatória na Base Nacional Comum Curricular, poucas são as escolas que abordam esse assunto em sala de aula. Desse modo, sem receber orientação adequada nem dos responsáveis e nem do sistema educacional, os jovens tendem a adotar uma vida sexual menos cuidadosa, aumentando o risco de contágio de doenças venéreas.
Portanto medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde deverá instituir palestras em escolas que orientem os jovens sobre como se prevenir contra as ISTs e informe-os acerca das medidas a serem tomadas em caso de necessidade de assistência médica. Assim, com ações efetivas e graduais, será possível aproximar cada vez mais a realidade vivenciada por tais jovens pela descrita por Platão, conduzindo a problemática da persistência à extinção.